A única pessoa que ocupava os pensamentos de Cícero Machado naquele momento era Eduarda Barbosa.
Evandro Castro, astuto como sempre e compreendendo o que se passava na mente de Cícero, comentou:
— Não se veem muitos homens com esse seu pensamento hoje em dia. Dizem por aqui que quem trata bem a esposa tem sorte na vida, e quem a negligencia acaba perdendo tudo. Para mim, isso é a mais pura verdade. Muito bem, meu jovem.
Evandro deu sua terceira tacada, que foi visivelmente superior às anteriores. Até mesmo o caddie ao lado percebeu que ele estava se segurando antes e que só agora começava a mostrar sua verdadeira habilidade no golfe.
Cícero também se posicionou e girou o corpo em um swing impecável. A bola aterrissou em uma posição excelente, não ficando atrás da tacada de Evandro. Pelo contrário, demonstrou ainda mais técnica e controle. Cícero sabia exatamente como lidar com cada jogada, não importava a situação.
Evandro aplaudiu com entusiasmo:
— A nova geração vem com tudo! Cícero, você está deixando claro que entrou na briga para valer.
Cícero endireitou a postura, mantendo sua figura imponente. Sua presença marcante era inegável; mesmo em um ambiente tão descontraído, ele se destacava e irradiava autoridade.
— Não é uma briga — Cícero respondeu. — Eu só vou recuperar o que já é meu por direito.
— O senhor, Sr. Castro, deve saber que o Grupo Machado sempre esteve nas mãos do presidente, e eu sempre fui o sucessor escolhido por ele. Fui afastado por um tempo devido a problemas pessoais, mas isso não significa que o poder passou a pertencer ao tio Roberto.
Decidido a ir direto ao ponto, Cícero parou de caminhar e olhou fixamente para Evandro.
— O senhor acompanhou o tio Roberto por todos esses anos. Mesmo que não reconheçam suas grandes conquistas, o seu suor está lá. O senhor está mesmo conformado em ser varrido do Grupo Machado dessa forma? Foi exatamente o que aconteceu comigo quando eu era criança. Assim que perdi meus pais — que eram a maior ameaça ao tio Roberto —, fui expulso da família Machado. Mesmo sendo jovem e inocente na época, eu sabia que a atitude dele era cruel. E agora, com o senhor, Sr. Castro... Eu vou mesmo engolir esse sapo e abrir mão de tudo o que tenho direito?
Após falar, Cícero avançou com elegância, pegou outro taco com o caddie e desferiu um novo golpe, enviando a bola para longe.
Ele sabia que, para alguém como Evandro, a conversa precisava girar em torno de benefícios práticos. Afinal, não havia nada neste mundo que não envolvesse interesses.
Cícero continuou:
Cícero estreitou os olhos ligeiramente, enquanto sua mente processava rapidamente todas as possibilidades.
Diante da recusa velada de Evandro, Cícero não demonstrou pressa. Continuou a jogar de forma descontraída. Em pouco tempo, a bola de ambos foi parar no banco de areia. A dificuldade da jogada aumentou, exigindo muito mais concentração de ambos.
Foi nesse momento que Cícero voltou a falar:
— Se o senhor tem esses receios, Sr. Castro, não vou insistir. Mas já parou para pensar que, se não for eu, outra pessoa poderá bater à sua porta? O senhor tem certeza absoluta de que você e sua família continuarão em segurança para sempre?
Cícero encontrou a posição e o ângulo ideais na areia, desferiu a tacada e entregou casualmente o taco ao caddie, ajustando a pulseira de seu relógio em seguida.
— O senhor sabe muito bem que, no nosso mundo, precisamos agir como no golfe: é vital avaliar em que tipo de terreno estamos pisando. Se não fizermos o cálculo correto, acabamos atolados, exatamente como o senhor está agora.
Assim que Cícero terminou a frase, Evandro balançou o taco no banco de areia, errando a bola completamente.

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