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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 599

Eduarda tentou recordar:

— Não consigo me lembrar muito bem de como eu me sentia naquela época.

Naquele momento, Eduarda se lembrou do que Cícero havia dito sobre sua memória estar com problemas.

Parecia que as palavras de Cícero talvez não fossem mentira; em relação a esses pequenos detalhes, às vezes Eduarda realmente não conseguia se lembrar com clareza.

O que ela tinha pensado quando deu à luz Arthur, ela simplesmente não conseguia mais recordar.

Elisa pareceu ler os pensamentos de Eduarda.

— Eduarda, não sei se seria falta de educação te perguntar uma coisa.

Eduarda virou o rosto e respondeu:

— Não tem problema, pode perguntar.

Elisa continuou:

— Nessas duas vezes em que vi você e o Cícero com a criança, sempre sinto que algo não está certo. Meu marido me contou que vocês haviam se divorciado e agora reataram, mas me parece que você não está muito feliz, estou certa?

Eduarda ficou paralisada por um momento ao ouvir isso. Achando que tinha sido invasiva, Elisa se desculpou, constrangida:

— Me desculpe, Eduarda. Eu falei demais, não é?

— Não, está tudo bem. — Eduarda piscou os olhos. — Nós realmente nos divorciamos e, se estamos juntos agora, é por certos motivos. Quanto ao menino, a guarda não está mais nas minhas mãos. Juridicamente, eu já não tenho nenhum vínculo com eles.

Elisa suspirou:

— Não me admira. Eu notei que a sua expressão carrega sempre um certo desconforto.

Eduarda virou a cabeça para encará-lo:

— É tão óbvio assim?

Elisa assentiu com a cabeça:

— Por melhor que alguém esconda suas emoções, sempre acaba deixando escapar um pouco. Eu apenas reparei nisso por acaso. Espero que outras pessoas não percebam, então tente ser um pouco mais cuidadosa.

Ao ouvir as palavras de Elisa, Eduarda percebeu que, por baixo daquela aparência gentil e inofensiva, Elisa era extremamente observadora e perspicaz. Haviam se encontrado apenas duas vezes, e Elisa já tinha desvendado a dinâmica entre ela e Cícero, apenas escolhendo não ser direta sobre isso antes.

Naquele momento, Eduarda pôde entender perfeitamente como uma mulher de aparência tão humilde havia conseguido conviver com um homem tão experiente e evasivo como Evandro. Sendo esposa de um homem tão influente, seria impossível ser apenas uma pessoa comum e ingênua.

Porém, já que Elisa tocou no assunto, Eduarda esclareceu:

— Eu nunca pensei em usar você para investigar isso. Afinal, esses são os negócios deles e, no fundo, todos nós somos apenas pessoas de fora.

Elisa acenou:

— Eu sei. Você é uma boa pessoa, eu consigo ver isso. Eu percebi desde o momento em que você salvou o Wilmar.

Essas palavras simples e francas conquistaram a simpatia de Eduarda. Naquele momento, ela realmente sentiu vontade de ser amiga de Elisa.

As duas decidiram deixar o assunto de lado e começaram a conversar sobre diversas coisas da vida.

Mulheres reunidas sempre encontram temas para conversar, especialmente quando compartilham vivências — ambas haviam se casado e tido filhos, o que lhes rendia muito assunto em comum.

Após conversarem longamente, Eduarda descobriu que a essência de Elisa também era muito simples; ela tinha uma inteligência rara e uma percepção muito aguçada, percebendo coisas que a maioria deixaria passar.

Depois de muito conversar, Elisa perguntou novamente:

— Eduarda, por tudo o que você me contou, tenho a sensação de que você não vai viver esse tipo de vida para sempre. Você ainda anseia por uma vida simples, não é?

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