Por isso, ela demonstrou um pouco de irritação com Cícero. Como ela havia aberto mão da guarda de Arthur e nunca o havia ensinado a agir assim antes, ele só poderia ter aprendido aquilo estando ao lado de Cícero. Com quem exatamente, ela não fazia ideia.
Cícero murmurou em voz baixa:
— Foi erro meu, acabei sendo negligente.
Cícero imaginava com quem Arthur poderia ter aprendido aquilo. Ele morava em Praia Dourada e o avô certamente não o deixaria agir assim, então só restava uma pessoa possível: Weleska.
As crianças estavam na idade de absorver tudo, sempre imitando instintivamente o comportamento dos adultos.
Cícero começava a se arrepender de ter permitido que Arthur convivesse com Weleska.
A expressão de Eduarda não suavizou muito apenas com aquela resposta de Cícero.
Percebendo o clima constrangedor, Elisa tentou amenizar a situação, puxando Eduarda:
— Eduarda, não culpe o Cícero. Crianças são assim, basta ensiná-las e elas aprendem. Vamos levar as crianças para a área da pista de esqui indoor e deixar os dois homens conversarem.
Eduarda olhou para Elisa, deu um leve sorriso, virou-se e a seguiu com as crianças.
Observando as costas de Eduarda, Cícero soltou um longo suspiro.
Ao ver isso, Evandro deu um tapinha no ombro de Cícero e disse:
— Cícero, não fique pensando nisso. É normal que a esposa fique irritada. Nós, como maridos, precisamos ser mais compreensivos e tolerantes. A Eduarda só quer o melhor para a criança, não é verdade?
Evandro empurrou Cícero, dizendo com um sorriso largo:
— Ah, chega de pensar nisso! Vamos jogar um pouco. Já prepararam tudo lá do outro lado, vamos.
Quando Eduarda sumiu do campo de visão, Cícero também se afastou com Evandro.
Eduarda e Elisa levaram as duas crianças até a pista de esqui indoor.
Arthur já estava bastante familiarizado com os equipamentos de esqui, afinal, ele vinha estudando sistematicamente há algum tempo e já conseguia ficar de pé na pista menor.
Wilmar, por outro lado, não entendia muito bem sobre essas coisas; era algo quase desconhecido para ele, deixando-o visivelmente confuso.
Elisa o encorajou:
— Wilmar, você pode perguntar ao Arthur. Ele sabe esquiar e ficará feliz em te ensinar.
Eduarda também comentou ao lado:
— Não precisa ter medo, Wilmar, pode ir.
Na interação anterior com Arthur, Wilmar já tinha percebido que ele não era tão assustador assim, então criou coragem e caminhou na direção dele.
Segurando seus próprios equipamentos de proteção, Wilmar se aproximou de Arthur e disse baixinho:
— Não, minha saúde não é muito boa. Não gosto muito dessas atividades que trazem um pouco de adrenalina.
Eduarda perguntou com preocupação:
— O que houve? Sente alguma dor no corpo?
Elisa respondeu:
— Fiquei com alguns problemas de saúde desde o nascimento do Wilmar. Você deve saber que dar à luz exige demais do corpo, o desgaste é imenso. Como a minha saúde é frágil, nunca me recuperei direito, e minha imunidade nunca mais foi a mesma depois da gravidez.
Eduarda também tinha a mesma sensação sobre isso:
— É verdade, quando eu tive o Arthur, meu corpo também sofreu uma queda drástica de vitalidade.
— No fim das contas, somos nós, mulheres, que pagamos o preço mais alto num casamento.
Elisa suspirou, mas, ao olhar para as duas crianças se divertindo na pista de esqui, sentiu que aquilo já não pesava tanto.
— Antes, eu achava que engravidar era tão exaustivo que quase perdi a vontade de ter filhos. Mas, depois que a criança nasceu e vi o quanto ele é fofinho e adorável, parei de pensar nisso. Acabei completamente encantada por essa pessoinha que entrou na minha vida.
Elisa olhou para Eduarda e perguntou:
— E você, Eduarda? Pensa da mesma forma que eu?

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