— Vistam o que quiserem, eu também peguei uma peça qualquer.
Eduarda disse isso com indiferença e, em seguida, foi tomar seu café da manhã sozinha antes de subir para trocar de roupa.
Quando desceu, viu os dois parados lá embaixo a esperando, parecendo duas versões da mesma pessoa.
Cícero usava um conjunto esportivo branco, com uma combinação muito parecida com a dela.
Vestido de forma tão casual e esportiva, Cícero não havia fixado o cabelo com pomada. Os fios estavam soltos, caindo levemente sobre a testa num penteado refrescante, o que o fazia parecer muito mais jovem. Não se parecia em nada com um implacável executivo, mas sim com um universitário.
"Ele realmente chama atenção pela aparência", pensou Eduarda.
Essa beleza não foi dada à toa; ele realmente tinha charme o suficiente para atrair olhares.
E ao lado dele, o pequeno Arthur era claramente uma versão em miniatura de Cícero. Embora ainda fosse uma criança, já dava para notar a boa genética do pai, o que garantia que ele seria muito bonito no futuro.
Eduarda desceu as escadas degrau por degrau e notou os olhares ansiosos que os dois lançavam para ela, mas seu coração não sentiu absolutamente nada.
Ao chegar ao térreo, Arthur foi o primeiro a se aproximar. O menininho, tentando parecer estiloso, puxou o zíper da jaqueta até o alto da gola.
— Mamãe, olha, o papai e eu não estamos muito bonitos?
Arthur sorriu cheio de orgulho.
Eduarda olhou para os dois e acenou afirmativamente com a cabeça.
— A mamãe fica ainda mais bonita com essa roupa, parece uma modelo!
Arthur falou animado.
Eduarda deu um leve sorriso.
O administrador da casa também concordou:
— O Arthur tem toda a razão. O senhor, a senhora e o Arthur ficam muito bem com essas roupas. Os três formam uma família linda.
As palavras do administrador da casa soariam agradáveis aos ouvidos de qualquer pessoa, menos aos de Eduarda.
— Nós não somos mais uma família, não diga isso.
Eduarda retrucou instintivamente.
O sorriso que antes iluminava o rosto de Cícero desapareceu completamente ao ouvir aquela frase.
Ele abaixou a cabeça e deu uma risada amarga.
— Eduarda, você realmente precisa dizer isso? Não pode fingir por apenas um dia, por mim e pelo Arthur?
Cícero implorou com a voz rouca.
— Você pode simplesmente fingir, nem que seja por um dia, que ainda somos uma família feliz?
Eduarda não mudou de opinião com as palavras dele.
— Se você gosta de atuar, por que não contrata uma atriz? O máximo que posso fazer é fingir na frente do Evandro, para enganá-lo, mas não minta para si mesmo.
Após dizer isso, ela se virou e caminhou em direção ao carro estacionado do lado de fora da mansão.
Cícero ficou tão engasgado com aquelas palavras que não conseguiu dizer mais nada; sentiu o peito apertar de um jeito sufocante.
Naquele momento, ele até conseguiu rir de forma autodepreciativa. Talvez as pessoas ajam assim quando se sentem completamente impotentes.
Arthur ergueu os grandes olhos para encarar Cícero, questionando-o com o olhar.
Eduarda sorriu e puxou o corpinho macio de Wilmar para os braços.
— Você sentiu minha falta, Sra. Eduarda?
Wilmar perguntou com os bracinhos ao redor do pescoço de Eduarda.
— Claro que sim! O Wilmar é um menino tão bonzinho, qualquer um sentiria sua falta.
Eduarda respondeu.
Wilmar ficou extremamente feliz com as palavras de Eduarda e apertou ainda mais o abraço.
É claro que Eduarda não estava mentindo. Wilmar era um menino muito obediente e adorável; era difícil não gostar dele.
No entanto, aos olhos do pequeno Arthur, aquela cena não parecia nada encantadora.
Ele estendeu as mãos e puxou os braços de Wilmar que envolviam Eduarda.
— Essa é a minha mãe, solta ela! Eu não permito que você abrace a minha mãe assim.
Arthur ficou claramente chateado e olhou para Eduarda:
— Por que a senhora trata ele tão bem? Eu não gostei disso!
Arthur não conseguia entender. Ele era o filho, por que sua mãe não o tratava com tanto carinho?
Antigamente, a mãe sempre era muito amorosa com ele.
Por que será que, aos olhos da sua mãe de hoje em dia, parecia que ele havia deixado de ser importante?

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