Com os olhos transbordando lágrimas e a voz embargada, Weleska parecia prestes a chorar enquanto encarava Cícero:
— Você sabe muito bem que, por causa do que passamos na infância, eu fico apavorada. Ou já esqueceu disso?
No entanto, quando Weleska voltou a usar aquele trauma como desculpa, Cícero não sentiu nem um pingo da antiga culpa.
Ele não queria duvidar das intenções dela, mas, bem no fundo da sua mente, uma voz sussurrava que havia algo de errado em tudo o que ela dizia.
Mantendo a compostura, Cícero respondeu:
— Se você tem tanto medo, posso pedir para que os seguranças fiquem de guarda na porta do seu quarto de hotel a noite toda. Mas continuar aqui na mansão é, sem dúvida, inapropriado.
— Mas por que, Cícero? Eu não consigo entender. O que teria de tão ruim em me deixar passar apenas uma noite na mansão? — ela questionou, recusando-se a aceitar o não.
Cícero a encarou profundamente e declarou:
— Porque esta é a minha casa e de Eduarda. Sua presença aqui já não é mais adequada.
Weleska sentiu o sangue ferver de raiva. Lá estava o nome daquela mulher de novo! Eduarda!
Cícero havia se tornado dependente de Eduarda agora? Será que ele precisava colocar aquela mulher em primeiro lugar para tudo? Com que direito Eduarda continuava tirando tudo dela?
Após organizar tudo, o administrador da casa se aproximou de Weleska e a acompanhou educadamente até a saída.
Por mais contrariada que estivesse, ela não ousou demonstrar sua irritação. Sem escolha, obedeceu às orientações do administrador da casa e deixou a mansão.
Só então Cícero pegou novamente o celular para terminar de ler as mensagens que haviam sido interrompidas.
Depois de responder, ele se abaixou até ficar na altura de Arthur e perguntou:
— Arthur, como estão as aulas de surf com o instrutor?
O garoto sorriu e respondeu:
— Estão ótimas! O instrutor disse que eu levo jeito. Já consigo ficar em pé na prancha e surfar sozinho!
Cícero abriu um sorriso de orgulho:
— Muito bem! O que acha de levar a mamãe para o mar amanhã e ir surfar com outras crianças?
Ao ouvir isso, Arthur saltou de alegria.
— Claro que eu quero, papai! Se a mamãe puder vir junto, vai ser o máximo!
Cícero já imaginava que o filho fosse adorar a ideia, então deu um tapinha afetuoso no ombro dele:
— Fechado, o papai vai cuidar de tudo. Mas agora, vá direto pro banho e depois para a cama. Durma cedo e nada de ficar brincando até tarde.
— Tá bom, vou pro meu quarto agora!
A pequena figura de Arthur desapareceu subindo as escadas.
Na manhã seguinte, Cícero procurou Eduarda para contar sobre o plano.
— Você ainda quer nos usar, a mim e ao Arthur, para nos aproximarmos da Elisa e do Wilmar? Acha que, ao nos aproximarmos, conseguiremos arrancar de Elisa o que Evandro está escondendo?
Cícero não perdeu tempo e incumbiu Damiano de cuidar de todos os preparativos.
Damiano agiu com eficiência e, em pouco tempo, tudo estava resolvido.
Paralelamente, Cícero tinha que gerenciar os assuntos do grupo corporativo. Tendo acabado de reassumir o cargo, o volume de trabalho administrativo parecia ainda maior do que antes. Felizmente, ele já estava acostumado com aquilo e logo conseguiu reorganizar tudo.
Eduarda, por sua vez, raramente pisava no escritório central e não tinha o menor interesse nas questões empresariais. Assim, Cícero passou a assumir todas as responsabilidades em nome dela também.
Sempre que Roberto esbarrava com Cícero na empresa, a tensão entre os dois atingia níveis quase palpáveis.
Cícero tinha a plena consciência de que precisava encontrar uma solução definitiva para o problema com Roberto o quanto antes.
No dia agendado para o passeio com a família de Evandro, Cícero orientou Damiano a preparar todos os documentos e ajeitar o carro com bastante antecedência.
Além disso, ele havia pedido que lhe entregassem algumas roupas novas em casa.
Quando Eduarda desceu as escadas, deparou-se com Arthur rodeando uma arara de roupas, analisando-as minuciosamente.
Confusa, ela se aproximou. Foi então que notou que as roupas penduradas estavam organizadas em conjuntos combinados, cada um contendo roupas casuais e esportivas para os três membros da família.
Arthur estava empolgadíssimo fazendo sua seleção. Ao ver Eduarda, sua animação transbordou:
— Mamãe, qual dessas combinações você acha mais legal? Vamos escolher uma igual para usarmos juntos hoje!
Eduarda deu uma olhada rápida, mas como não estava com a menor disposição para aquilo, puxou aleatoriamente um conjunto branco. Ao lado, uma funcionária já aguardava para pegar a peça de suas mãos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes