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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 593

Foi a primeira vez que Arthur ouviu o pai ajudá-lo com a lição. O pequeno corpo aninhado no peito largo de Cícero sentiu algo diferente da ternura materna: era um tipo de calor firme e seguro.

O rostinho de Arthur estampava um grande sorriso. Ouvir as explicações de Cícero o enchia de uma felicidade indescritível.

Cícero percebeu que o menino não estava prestando muita atenção e perguntou:

— No que você está pensando, em vez de focar na lição, hein?

Ele ainda estendeu a mão para beliscar levemente a bochecha de Arthur; a textura sob seus dedos era extremamente macia.

Arthur caiu na gargalhada com a brincadeira. Agarrado à ponta da camisa do pai, ele se mexia sem parar em seu abraço.

Olhando para o filho em seus braços, Cícero lembrou-se do passado. Naquela época, ele prestava muito pouca atenção a Arthur. Para ser franco, era quase nenhuma.

Devido à sua relação conturbada com Eduarda, Cícero não podia dizer que gostava da criança. Na maior parte do tempo, delegava os cuidados do menino ao administrador da casa, às babás e aos professores. Raramente passava tempo com ele, muito menos o mimava.

Agora, ele sentia um aperto de arrependimento. Por que não havia passado mais tempo com o filho antes?

Com esses pensamentos, Cícero virou a cabeça e olhou para Eduarda. Ela já havia terminado o caldo e estava na mesa do escritório, cuidando do trabalho.

Se ele tivesse compreendido tudo mais cedo, talvez os três pudessem ter vivido muito felizes.

Eles se amando, o filho adorável, uma vida tranquila e sem preocupações... A forma mais simples de felicidade um dia esteve ao seu alcance, mas ele mesmo a destruiu. E agora parecia impossível reconstruir tudo.

Mesmo que os três tentassem se forçar a ficar juntos, já não se pareciam nem um pouco com uma família de verdade.

O brilho nos olhos de Cícero se apagou.

Após orientar Arthur até terminarem toda a lição, pai e filho trocaram um olhar e nenhum dos dois demonstrou a menor intenção de sair do quarto de Eduarda.

Os dois olharam na direção de Eduarda e perceberam que ela os ignorava por completo. As luzes da tela do computador cintilavam, refletindo-se em seu rosto. Ficava evidente que toda a concentração dela estava voltada para o trabalho.

Arthur sussurrou bem baixinho:

— Papai, a mamãe parece estar muito ocupada. Será que a gente não podia ajudar ela?

Arthur acreditava, em sua inocência, que o pai podia ajudar a mãe em qualquer coisa, pois parecia que ele sabia fazer de tudo.

Cícero, claro, sabia muito bem que não conseguiria entender o trabalho que Eduarda estava realizando.

Ele até era capaz de apreciar o design das peças finalizadas, mas quando se tratava do processo criativo, era muito difícil para um leigo compreender os detalhes técnicos.

Cícero balançou as mãos em recusa:

— O papai não entende nada do trabalho da mamãe.

Arthur soltou um "Ah?" de confusão:

— Mas a mamãe disse antes que era só uma assistente comum. Desse tipo de trabalho o papai entende, né? Eu sei que na empresa do papai tem um monte de gente na empresa que faz isso. O Damiano não faz esse tipo de trabalho?

— Isso mesmo.

Com os olhinhos iluminados, Arthur pediu:

— Mamãe, você me mostra algumas roupas que desenhou? Eu quero muito ver.

Como era um pedido simples e inofensivo, Eduarda não se recusou. Ela deu alguns cliques no mouse, exibindo imagens de designs finalizados.

— Uau! Que roupas mais lindas! A mamãe manda muito bem!

Diante dos elogios efusivos do filho, Eduarda limitou-se a esboçar um sorriso contido.

Arthur agarrou a mão dela, balançando-a de leve, e perguntou:

— Mamãe, você poderia desenhar uma roupa para mim também? Quero usar as suas criações, assim posso contar pra todo mundo que a minha mamãe fez especialmente pra mim.

Eduarda, porém, não confirmou com a cabeça. Ela disse:

— Se o Arthur quer, posso pedir a outros profissionais para fazerem. A mamãe está muito atarefada agora e não terá tempo de confeccionar uma pessoalmente.

Eduarda tinha assuntos muito mais importantes para resolver no momento; não tinha cabeça para gastar energia com questões tão irrelevantes.

Sem contar que ela já havia, no passado, criado roupas para Arthur. Naquela época, ele não deu valor; agora que estava pedindo, não significava que ela estaria disposta a fazer novamente.

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