Mas qual seria essa verdade? A suspeita só crescia no coração de Cícero.
— Weleska... — Cícero voltou a olhá-la. — Recentemente, lembrei de algo. Parece que nós nos encontramos antes daquele dia, e você me deu algo que tinha preparado com as próprias mãos. O que era mesmo?
Weleska, pega de surpresa, ficou em silêncio por um momento antes de responder:
— Ah, acho que foram biscoitos e doces que eu mesma fiz. Faz tanto tempo, não consigo me lembrar direito.
Cícero fez uma pausa e balançou a cabeça:
— É verdade, muito tempo se passou. É normal não lembrar de tudo. Eu também só me recordo de alguns flashes. Mas lembro que estava delicioso.
Weleska deu um sorriso tímido:
— Se você gosta, qualquer dia desses eu preparo mais para você.
Cícero abriu um sorriso enigmático e, logo em seguida, disse:
— Weleska, pode sair agora. Tenho uma ligação de trabalho urgente para fazer.
Compreendendo a deixa, Weleska saiu rapidamente do escritório.
No exato momento em que ela fechou a porta, o sorriso sumiu completamente do rosto de Cícero. Ele pegou o celular e ligou para Damiano.
— Continue investigando essa história. O que aconteceu naquela época definitivamente não foi o que me contaram.
Embora não entendesse o motivo, Damiano concordou imediatamente.
Cícero largou o celular sobre a mesa e ficou pensando no que Weleska tinha dito e refletiu sobre as palavras de Weleska.
A verdade era que, em suas lembranças, ele nunca havia recebido nenhum tipo de comida dela.
Será que seu avô tinha razão e havia algo de errado com sua memória? Ou será que aquela garotinha que ele lembrava, segurando flores silvestres e vestindo um vestidinho branco... tinha, de alguma forma, outra conexão com Weleska?
Cícero continuou sentado no escritório por mais algum tempo antes de sair. Assim que abriu a porta, deparou-se com Arthur subindo as escadas, segurando uma tigela de sopa.
Arthur notou a presença dele e disse:
— Papai, estou levando esse caldo para a mamãe. Quer vir comigo? Aproveito para pedir a ela que dê uma olhada na minha lição de casa. Vem junto, papai!
Cícero pensou por um instante, aproximou-se e pegou a tigela das mãos do filho:
Enquanto Eduarda estava sentada à mesinha saboreando o caldo, Arthur se aproximou segurando o caderno.
— Mamãe, essa é a lição que você corrigiu da última vez. Eu refiz tudo direitinho, você pode dar mais uma olhadinha, por favor?
Ele mal havia terminado de falar e já ia colocar o caderno na frente de Eduarda, quando uma mão grande puxou o caderno mais rápido.
Arthur olhou para o lado: era Cícero quem segurava o pequeno caderno, examinando-o com atenção.
Cícero disse:
— Deixe sua mamãe tomar o caldo em paz. O papai corrige para você.
Isso foi uma surpresa ainda maior para Arthur, afinal, Cícero nunca havia se oferecido espontaneamente para olhar sua lição. Radiante, o menino se escorou e aninhou seu pequeno corpo ao lado de Cícero.
Pelo canto do olho, Eduarda observou pai e filho juntos. Com medo de incomodá-la, eles até baixaram a voz ao discutir a lição, em uma clara tentativa de agradá-la e garantir um cantinho ali no quarto.
Vendo aquela cena, Eduarda deu uma leve e discreta risada nasal.
Ela não pôde deixar de pensar: será que esse afeto e cuidado tardios ainda teriam alguma utilidade?

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