Naquele momento, Cícero não queria a menor interação com Weleska. Se Eduarda visse aquilo, sua imagem, que já estava difícil de recuperar, desmoronaria de vez.
Ele se afastou diretamente em rejeição e foi claro:
— Weleska, o que você veio fazer na nossa casa? Eu não te chamei aqui.
Após dizer isso, Cícero ainda lançou um olhar para Eduarda.
Eduarda continuava sem demonstrar grandes emoções; nenhuma daquelas pessoas merecia sua alegria, raiva ou tristeza.
Weleska ficou ainda mais constrangida. Claro que não havia sido convidada por ninguém; viera apenas porque não se sentia segura deixando Eduarda e Cícero juntos. No entanto, não esperava encontrar aquela situação, o que a deixou em uma posição extremamente embaraçosa e sem saída.
Eduarda deu um leve sorriso. Ao ver a expressão de derrota no rosto de Weleska, ela simplesmente subiu as escadas, sem paciência para ficar ali assistindo àquele teatro.
Vendo que Eduarda já havia subido e voltado para o quarto, Cícero soltou um longo suspiro.
Weleska aproveitou a chance para se aproximar de Cícero, dizendo com uma voz frágil e manhosa:
— Eu esperei por você aqui um tempão. Só queria te ver. Senti sua falta, Cícero.
Weleska recorreu ao truque de sempre, fazendo-se de frágil e desamparada, mas não imaginava que o atual Cícero já não caía mais nessa.
Cícero manteve a distância e disse com a voz grave:
— Já que você está aqui, tenho algumas coisas para te perguntar. Vamos conversar.
Weleska sorriu imediatamente:
— Claro! Sobre o que você quer conversar?
Cícero apontou para o andar de cima:
— Vamos para o escritório. Aqui não é um bom lugar.
Ao ouvir aquilo, Weleska logo interpretou a situação de outra forma e assentiu, timidamente.
Antes de subir, Cícero passou pela cozinha e encontrou Arthur.
— Arthur, quando o jantar estiver pronto, pode comer primeiro. Não precisa esperar pelo papai e pela mamãe. O papai tem uns assuntos de trabalho para resolver.
Cícero acariciou os cabelos macios de Arthur.
Arthur estava ao lado observando o chef preparar um caldo especial. Ao ouvir as palavras de Cícero, ele assentiu obedientemente:
— Tudo bem, papai, pode ir resolver suas coisas. Quando o caldo estiver pronto, eu levo para a mamãe.
Cícero sorriu levemente:
Naturalmente, Weleska não queria tocar naquele assunto, mas ficar calada naquele momento faria parecer que ela tinha algo a esconder.
— Naquela época... foi quando você escorregou e caiu acidentalmente perto do mar. Eu vi por acaso e te salvei. Você sabe, Cícero, nós dois nos machucamos bastante naquele dia. Por causa disso, fiquei com sequelas que deixaram minha saúde frágil para sempre.
Enquanto falava, como se temesse a desconfiança dele, Weleska tossiu levemente algumas vezes para provar que, de fato, não tinha uma boa saúde.
Desta vez, Cícero não tomou a iniciativa de confortá-la. Em vez disso, perguntou com ceticismo:
— Eu estava pensando... por que você estava lá? Era uma região do interior, um lugar onde você normalmente não iria.
Um alarme soou instantaneamente na mente de Weleska. O fato de Cícero estar sendo tão minucioso naquele dia não era, de forma alguma, um bom sinal.
Será que ele já estava começando a suspeitar?
Weleska entrou em pânico e apertou as mãos nervosamente, mas forçou um sorriso e disse:
— Foi só uma coincidência, não tem um grande motivo. Talvez o destino tenha me levado até lá só para te encontrar.
A justificativa de Weleska, obviamente, não convenceu Cícero.
Ele cruzou os braços, recostou-se na cadeira e começou a reavaliar a pessoa à sua frente, bem como toda a estranheza daquela situação.
Naquele momento, Cícero sentiu que tudo aquilo parecia errado e fugia do bom senso, como se todos estivessem escondendo a verdade.

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