Talvez as coisas realmente não fossem tão simples, exatamente como sua intuição alertava.
Quando chegaram à mansão, já estava escurecendo. As luzes da casa já haviam sido acesas, iluminando todo o condomínio de luxo.
Eduarda já estava acordada, apenas com preguiça de se levantar. Assim que Cícero estacionou o carro, ela abriu a porta e desceu.
Quando Eduarda estava prestes a subir as escadas para descansar, ouviu o som de uma voz inconveniente na sala de estar.
Ao olhar de relance, viu que Weleska estava lá. Arthur estava sentado ao lado dela, rindo alegremente por conta de algo que ela devia ter contado.
Eduarda os encarou sem qualquer expressão.
Arthur foi o primeiro a notá-la e correu rapidamente do sofá, parando ao seu lado e segurando a sua mão.
— Mamãe, onde você foi hoje? Por que demorou tanto? Você está com fome? Já comeu? O Arthur ficou te esperando para o jantar, eu não quis comer sozinho.
Olhando para o menino ao seu lado, Eduarda se lembrou de como ele estava sorrindo para Weleska minutos antes.
Lentamente, ela puxou a própria mão.
Arthur ficou um pouco atônito:
— Mamãe não quer comer comigo?
Eduarda balançou a cabeça:
— Eu não estou com fome, pode ir jantar sozinho. A mamãe vai subir para descansar.
Dito isso, virou-se em direção à escada. Ela havia acabado de colocar o pé no primeiro degrau quando a voz de Weleska ecoou.
— Eduarda, o Arthur esperou por você por muito tempo. Já que você não quer fazer companhia a ele no jantar, então eu o acompanharei.
Eduarda soltou um riso sarcástico e virou-se no degrau para encará-la.
— Sra. Castilho, já que gosta tanto de estar na casa dos outros para fazer companhia ao meu filho durante o jantar, não serei eu a impedir. Fique à vontade.
A intenção de Weleska era apenas desautorizá-la diante de Arthur, mas não esperava que, com apenas uma frase, acabasse parecendo apenas uma intrusa inconveniente.
Como Weleska iria aceitar isso? Após dar duas risadinhas irônicas, ela acenou para Arthur.
— Arthur, sua mãe não quer comer com você. Venha, a tia Weleska te leva para jantar.
Ela até lançou um olhar provocador para Eduarda.
— Eu nem quero ser a dona desta casa. É o seu amado Cícero quem se recusa a me deixar ir. O problema é ele, não eu. Se quiser arranjar confusão, vá falar com ele.
Eduarda deu uma risada gélida. Ao desviar o olhar, viu exatamente o momento em que Cícero entrava na sala.
Provavelmente, ele tinha ouvido o que ela acabara de dizer.
Aquelas palavras certamente feririam o orgulho de qualquer homem. Em uma situação normal, qualquer homem que ouvisse aquilo de maneira tão desdenhosa teria o orgulho ferido e ficaria irritado.
Mas, como a frase tinha saído da boca de Eduarda, Cícero não sentiu um pingo de raiva.
Cícero se aproximou. Ele não cumprimentou Weleska; em vez disso, voltou toda a sua atenção para Eduarda.
— Já vai descansar? Tente comer pelo menos um pouco, senão vai acabar passando mal à noite, tá? — disse ele em tom preocupado.
Vendo como havia sido completamente ignorada, Weleska se sentiu consumida pela inveja. Ela deu um passo à frente, ergueu as mãos tentando agarrar o braço de Cícero, mas ele desviou de forma sutil, escapando de seu toque.
Um pouco envergonhada, Weleska tentou manter o sorriso:
— Cícero, a Eduarda disse que não quer jantar. Vamos comer primeiro. Mais tarde a gente pede para os empregados levarem a comida para o quarto dela, não tem problema.

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