Enquanto Eduarda ainda estava um pouco aérea, Cícero caminhou até ela, com o olhar fixo no rosto dela, tenso e atento.
— O que foi que você acabou de dizer?
Só então Eduarda voltou a si, piscou os olhos e perguntou, confusa:
— O quê?
Cícero não desviou o olhar por um segundo sequer. Seus olhos demonstravam uma agitação incontrolável. Não sabia se tinha escutado mal, mas tinha a nítida impressão de ter ouvido... aquele nome.
— Quem você estava chamando agora há pouco? Para quem você disse aquelas palavras? — perguntou ele, com a voz embargada.
Eduarda despertou de vez. Acreditou que a cena e a voz que invadiram sua mente eram apenas alucinações.
— Eu não disse nada — disse Eduarda, dando as costas para ir embora. — Não quero brigar mais com você, estou exausta. Dirija de volta.
Ela não estava se sentindo bem e só queria voltar para descansar.
Ainda tinha coisas a resolver e ficar ali perdendo tempo com Cícero estava acabando com a pouca vontade que tinha de aproveitar a paisagem.
Porém, foi bruscamente puxada para trás.
Sem tempo nem de se equilibrar, Eduarda colidiu de volta contra o peito de Cícero.
Ele segurou a cintura dela e ergueu o queixo dela, obrigando-a a olhar para cima:
— Para quem foram aquelas palavras? O que você sabe? Me diga.
Eduarda já estava nos limites de sua paciência:
— Do que você está falando? Eu não disse nada. Só tive um lapso e murmurei algo sem sentido. Se você quer saber de alguma coisa, pergunte diretamente. Não estou com paciência para os seus surtos.
Ao ver a expressão genuína de confusão dela, Cícero começou a duvidar de si mesmo.
Mas as palavras da Professora Zenilda e de seu avô ainda ressoavam em seus ouvidos. Ele havia mandado Damiano investigar esse assunto, embora ainda não tivessem nenhum progresso.
E agora, ouvindo aquela frase de Eduarda, além do fato de que todos os envolvidos sabiam de algo relacionado a ele e a ela, era impossível não desconfiar ainda mais.
Será que Eduarda também sabia de algo?
Cícero não quis dar rodeios e perguntou diretamente:
— Você disse um nome, Diogo. Foi isso?
Eduarda o encarou, tentou puxar pela memória e assentiu de leve:
Um palpite improvável surgiu em sua mente, e ele precisava desesperadamente que Eduarda lhe desse uma explicação.
Contudo, Eduarda não via motivo para se justificar.
— Já te falei, foi apenas um devaneio. Falei sem pensar. Se você insiste em levar a sério, então investigue você mesmo. Afinal, segundo você, a minha memória está uma confusão, então eu também não sei se sei de alguma coisa.
Ela deu um sorriso cheio de escárnio.
— Você pode estar curioso, mas eu não estou. Portanto, faça o que quiser. Agora, me solte e vamos embora. Entendeu?
Eduarda empurrou o peito de Cícero e, desta vez, quase sem fazer esforço, ele recuou.
Sem hesitar por um momento sequer, ela caminhou em direção ao carro, sem vontade alguma de continuar batendo boca.
Cícero ficou estático por alguns instantes antes de finalmente ir atrás dela.
No caminho de volta, como não queria interagir mais e por não estar se sentindo muito bem, Eduarda acabou pegando no sono dentro do carro.
Aproveitando o sinal vermelho, Cícero pegou uma manta no banco de trás, cobriu-a com cuidado e passou um bom tempo a observando.
As suspeitas em sua mente só ficavam mais fortes. Uma vez que essas dúvidas começavam a ecoar, era praticamente impossível silenciá-las.

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