Se ao menos ela pudesse sentir um pouco de compaixão por ele.
Cícero simplesmente não conseguia mais falar. Ele queria fugir para não ter que ouvir as palavras de rejeição de Eduarda.
Desta vez, Eduarda não usou um tom áspero nem o rejeitou diretamente, apenas soltou um suspiro.
Nem ela mesma sabia o motivo. Parecia que, ao estar naquele lugar, seu coração e sua mente estavam presos a algo, impedindo-a de dizer coisas cruéis.
Eduarda falou com serenidade:
— Já que você também entende que não há possibilidade entre nós, não force um sentimento. Mesmo que eu continuasse ao seu lado, nós dois seríamos apenas duas pessoas distantes vivendo sob o mesmo teto. Qual seria o sentido?
Ela falou com tranquilidade, analisando friamente a situação dos dois.
Isso era muito mais doloroso para Cícero do que um contra-ataque cheio de emoção.
Cícero olhou para ela ao seu lado e disse:
— Nós dois poderíamos ter sido felizes.
Eduarda deu um leve sorriso:
— Você mesmo disse, poderíamos ter sido. Mas a realidade é que chegamos ao fim.
Os olhos de Cícero ficaram vermelhos de repente, a ponta do nariz ardeu, e ele quase derramou lágrimas.
O que ele não conseguia dizer a Eduarda era que os dois realmente haviam sentido amor um pelo outro, só que esse amor nunca havia se sobreposto. Antes, era Eduarda quem o amava e ele não retribuía nada. Agora, tudo havia se invertido: ele transbordava de amor, mas só podia entregá-lo a uma pessoa de coração vazio.
Eles haviam amado, mas nunca haviam se amado ao mesmo tempo.
Essa constatação fez o coração de Cícero doer a ponto de quase paralisar.
Mesmo assim, ele não queria que tudo terminasse daquela forma. Eles apenas não haviam se amado no passado, mas por que não haveria a possibilidade de se amarem no futuro?
Ele não queria perder a chance de ser feliz tão facilmente.
Ele olhou para Eduarda, estreitando levemente os olhos, mantendo sua postura:
Ainda assim, ela balançou a cabeça e falou em um tom baixo e frio:
— Nenhuma. Absolutamente nenhuma.
As lágrimas nos olhos de Cícero caíram de forma abrupta.
Ele já não tinha mais opções.
Fosse de maneira dura ou suave, Eduarda não demonstrava a menor vontade de aceitá-lo, nem a mínima intenção de nem a menor intenção de lhe dar uma chance.
Não importava o quanto ele estivesse do lado de fora, desesperado para entrar, por mais que insistisse, ela simplesmente não queria aceitá-lo. Isso o deixava sem saber o que fazer.
Quando o olhar de Cícero escureceu, ele se lembrou do que o médico havia dito: havia uma chance de que Eduarda recuperasse a memória do passado. Não era algo totalmente impossível.
Nesse momento, Cícero já pensava de forma extrema: e se Eduarda se lembrasse? Não seria algo bom?
Se a memória dela voltasse, ela se lembraria de que já o havia amado. Mesmo que junto com o amor voltasse o ressentimento por ele, não seria muito melhor do que a situação desesperadora de agora?

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