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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 585

Cícero parou o carro perto da praia, deu a volta, abriu a porta para Eduarda e inclinou-se para olhá-la.

Ele sugeriu:

— Vamos sair um pouco?

Eduarda assentiu, mas ignorou a mão que Cícero havia estendido.

Ela respondeu com frieza:

— Dê licença, eu saio sozinha.

Ela não cedeu à gentileza dele.

Cícero recolheu a mão, um tanto desapontado, e esboçou um leve sorriso.

Ele caminhou ao lado dela rumo à praia e, com apenas alguns passos largos, alcançou-a.

Ao ver o homem surgir ao seu lado, Eduarda hesitou, incapaz de decifrar as verdadeiras intenções dele.

Ela questionou:

— Você me trouxe até aqui apenas para ver o mar?

Ao falar, Eduarda franziu ligeiramente as sobrancelhas enquanto observava o mar estendendo-se à sua frente.

Cícero fez um gesto ambíguo, parecendo assentir e negar ao mesmo tempo.

Ele comentou, com o olhar mais denso:

— Esse trecho do mar ainda está bem preservado. Não foi tomado pelo turismo como outros lugares.

E continuou:

— Aqui, um outro episódio aconteceu. Quer ouvir?

Eduarda raramente se interessava pela vida de Cícero, mas, por alguma razão inexplicável, acabou sendo instigada pela curiosidade.

Percebendo que ela não havia negado, Cícero prosseguiu:

— Durante a minha infância, quase me afoguei e morri nesta praia. Não me lembro de todos os detalhes, mas recordo-me da sensação de estar completamente desesperançado, sem vontade de viver, acreditando que afundar nestas águas seria um alívio.

Ao falar do passado, o brilho nos olhos dele se apagou um pouco.

Eduarda compreendeu o recado, mas optou pelo silêncio.

Eduarda questionou-o de volta:

— Cícero, não considero que os seus sentimentos por mim sejam amor. Não acha que tudo não passa de mero capricho por ainda não ter se conformado com a minha ausência, confundindo essa sensação com amor?

Sob a sua ótica, Cícero era movido apenas por um misto de revolta e frustração.

Afinal, qualquer pessoa teria dificuldade em se adaptar ao perder abruptamente algo de que sempre teve posse.

E era bem provável que Cícero ainda não tivesse assimilado essa perda.

Ao ouvir a pergunta de Eduarda, Cícero ficou sem reação, sentindo o peito se apertar de dor.

Ele indagou, a voz mergulhada em uma profunda rouquidão:

— Depois de tanto tempo, é dessa maneira que você enxerga os meus sentimentos por você?

— Eduarda, sou um ser humano. Cada uma de suas rejeições é como uma facada em meu coração. Eu sofro. Não sou de pedra. Será que você não poderia...

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