Ele cerrou os punhos com força, e a ideia de tentar isso pelo menos uma vez começou a criar raízes em sua mente.
Eduarda não sabia dos pensamentos distorcidos que passavam pela cabeça de Cícero naquele momento. Ela só queria sair dali, pois percebeu que, quanto mais tempo ficava, mais sentia um sufocamento, como se estivesse sendo engolida pelas águas do mar. Era uma sensação muito peculiar, porém familiar, que chegava a dificultar sua respiração.
Eduarda levantou-se abruptamente. Havia dado apenas dois passos, ainda meio trôpega, quando sentiu seu pulso ser agarrado com brutalidade.
Ao se virar, viu Cícero segurando-a com força, quase em desespero.
Eduarda se sentiu incomodada:
— Solte, eu quero voltar.
O olhar de Cícero estava diferente, o que o impediu de notar a leve alteração nas microexpressões de desconforto de Eduarda.
Ela tentou puxar o pulso, mas percebeu que Cícero estava usando tanta força que ela não conseguia se mover nem um milímetro.
— Cícero! O que você está tentando...
— Eduarda, você perdeu a memória!
Cícero a interrompeu em voz alta. Naquele momento, ele já não tinha medo de receber o ódio de Eduarda. Seu único medo era que o amor dela nunca mais voltasse, que ela o tratasse como um estranho para sempre.
Tudo o que ele não ousava dizer antes, agora estava pronto para ser revelado.
As pupilas de Eduarda se contraíram e dilataram de forma repentina. Ela achou aquilo um absurdo:
— Do que você está falando? Eu, sem memória?
Cícero assentiu com a cabeça:
— Exatamente. Você esqueceu de coisas muito importantes por causa daquele acidente de carro que te deixou em coma por tanto tempo.
Cícero fez uma pausa. O que não teve coragem de dizer foi: "E também por minha causa".
Eduarda piscou os olhos rapidamente e deu um sorriso cético:
— Como isso seria possível? Eu não esqueci nada, lembro de tudo...
Ele a puxou e disse:
— Eduarda, a sua perda e confusão de memória não são um simples esquecimento. Você guardou muitas coisas de forma distorcida. Lembra que você tinha dores de cabeça frequentes e o Franklin sempre te levava ao médico? Eles estavam avaliando a recuperação do seu sistema neurológico.
Eduarda pensou e percebeu que isso era verdade. Ela precisava ir ao hospital para exames regulares. Naquela época, chegou a questionar por que precisava continuar indo, já que seu corpo parecia estar se recuperando bem.
A resposta de Franklin na época foi muito vaga, dizendo apenas que eram ordens médicas, então ela não havia insistido muito.
E, quanto às dores de cabeça, ela ainda as sentia com frequência até os dias de hoje.
— Por que o Franklin esconderia isso de mim? É impossível... — Eduarda murmurou, enquanto sua mente processava incontrolavelmente essas informações.
Cícero continuou:
— Porque ele não queria que você se lembrasse de que se casou comigo por amor, e de que me amou por muito, muito tempo.
Aproveitando o choque de Eduarda, Cícero se aproximou, estendeu a mão e acariciou suavemente o rosto dela, com os olhos transbordando de uma ternura infinita.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes