A recusa de Evandro foi bastante clara, demonstrando que não queria mais se envolver em nada relacionado a Cícero.
Cícero deu um gole em seu chá, sorriu e retrucou:
— Tanto do ponto de vista profissional quanto pessoal, não fica bem que o senhor saia de mãos vazias. O senhor lutou ao lado do Grupo Machado por tantos anos e teve muito mérito e trabalho árduo. Se não aceitar nada, o que as pessoas vão pensar? Isso colocaria a família Machado numa situação delicada, não concorda?
Com apenas uma frase, Cícero encurralou Evandro.
Evandro já havia lidado com Cícero muitas vezes no passado e sabia muito bem que ele era um oponente formidável.
Poucos conseguiam manter a própria posição ao bater de frente com Cícero.
Evandro não queria aceitar os argumentos dele, mas como Cícero havia elevado o tom daquela forma, tornou-se impossível recusar de maneira direta.
Percebendo a hesitação e a incerteza no rosto de Evandro, Cícero aproveitou a vantagem para pressioná-lo:
— Já que o senhor não quer aceitar nada, se recusar a minha proposta, temo que terei de pedir ao meu avô para vir lhe entregar pessoalmente.
Evandro respondeu sem a menor hesitação:
— Não, não, não é preciso incomodar o presidente.
Aquela simples reação foi o suficiente para que Cícero e Eduarda entendessem o que estava acontecendo.
Evandro definitivamente escondia algo, e que muito provavelmente estava relacionado ao Grupo Machado, caso contrário, ele não teria ficado tão alarmado com a possibilidade de Adilson aparecer.
Percebendo que havia se precipitado, Evandro tentou se explicar rapidamente.
Ele tossiu levemente e disse:
— Cícero, fiquei muito contente em receber você e sua esposa hoje. Quanto ao que me propôs, deixe-me pensar a respeito. Por enquanto, agradeço muito a sua consideração.
Cícero recostou-se no sofá, sabendo que não poderia ir além daquilo no dia de hoje. Pressionar demais seria muito agressivo e poderia surtir o efeito oposto.
Assim, ele imediatamente assumiu uma postura mais relaxada.
Cícero disse:
— Tudo bem, Sr. Castro, o senhor pode pensar com calma. Nem eu nem a família Machado gostaríamos que o senhor partisse desse jeito.
Evandro suspirou aliviado e logo forçou um sorriso:
— Certo, certo. Ah, fiquem para o almoço. A Elisa já deve estar voltando. É estranho, ela está demorando hoje...
Ele olhou para o relógio e achou a demora incomum.
Evandro pediu:
— Cícero, Eduarda, fiquem à vontade por um instante, vou ligar para a minha esposa para ver onde ela está.
Cícero e Eduarda assentiram, observando Evandro se afastar para fazer a ligação.
Eduarda virou o rosto e lançou um olhar interrogativo para Cícero.
Cícero confirmou com a cabeça:
— Elisa, este é o Cícero, que veio me visitar com a esposa. Venha cumprimentá-los.
A mulher chamada Elisa terminou de trocar os sapatos e, ao erguer os olhos e ver Eduarda, seu rosto se iluminou de surpresa.
Elisa se aproximou e segurou a mão de Eduarda com gratidão:
— Então você é a esposa do Sr. Machado! Que enorme coincidência. Graças a você, levei o Wilmar ao médico, e ele disse que os primeiros socorros que você prestou foram essenciais. Eu lhe devo essa.
Eduarda sorriu e balançou a cabeça:
— Não precisa agradecer, não foi nada demais.
Elisa chamou o menino:
— Wilmar, venha cá, você ainda não agradeceu à moça. A moça que você queria tanto ver está bem aqui.
Elisa olhou para Eduarda e perguntou:
— Como devo chamá-la?
Eduarda respondeu:
— Meu sobrenome é Barbosa, mas pode me chamar apenas de Eduarda.
Elisa sorriu e propôs:
— Eu me chamo Elisa Falcão. Devemos ter mais ou menos a mesma idade, pode me chamar de Elisa.

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