Eduarda já estava acostumada com aquelas palavras de Cícero. Ela apenas escutava, sem dar a mínima importância.
Ela não fazia ideia do motivo de Cícero ter mudado tanto.
Eduarda comentou:
— Cícero, você não se cansa de repetir isso todos os dias? Se você não se cansa, eu já estou farta de ouvir.
O semblante de Cícero escureceu um pouco, mas, ao falar com Eduarda, logo forçou um sorriso.
Cícero respondeu:
— Tudo o que digo é sincero. De agora em diante, não esconderei mais nada de você.
Eduarda deu um sorriso irônico e não respondeu mais nada.
Os dois caminhavam lado a lado pelo condomínio de casas de veraneio. Eduarda preferia observar a paisagem ao redor e os números das residências a continuar discutindo aquele assunto com Cícero.
Eduarda conferiu a numeração e apontou:
— Não se esqueça do motivo que nos trouxe aqui hoje. Aquela casa cinza ali na frente deve ser a certa.
A postura estritamente profissional de Eduarda impediu Cícero de tentar qualquer aproximação mais afetuosa.
Diante disso, ele também assumiu um ar mais sério e profissional.
Os dois pararam diante do portão principal da casa, e Cícero se aproximou para tocar o interfone com vídeo.
O interfone não foi atendido, mas alguém saiu diretamente de dentro da casa, resmungando:
— Esqueceram a chave ao sair? Na próxima vez, vocês precisam... Sr. Machado?
O homem de meia-idade, que usava óculos, demonstrou evidente surpresa ao ver Cícero parado no portão.
O homem abriu o portão de forma um tanto desajeitada e convidou Cícero a entrar:
— Sr. Machado, o que o traz por aqui?
Ao notar a presença de Eduarda, ele a reconheceu imediatamente.
Ele hesitou por um instante antes de perguntar:
— A senhora deve ser a Eduarda, esposa do Sr. Machado, certo?
Eduarda parou por um momento, achando que não fazia sentido corrigir o tratamento àquela altura, e simplesmente assentiu.
O anfitrião, muito educado, conduziu os dois para dentro e os convidou a se sentarem na sala de estar.
Eduarda o observava, concordando com a descrição que Cícero havia feito.
Após a surpresa inicial de vê-los no portão, ele rapidamente ajustou sua postura e demonstrou total controle da situação ao convidá-los a entrar.
Até mesmo quando Cícero dispensou as formalidades, Evandro logo assumiu a figura afável de um veterano recebendo os mais jovens.
Eduarda praticamente não havia aberto a boca desde que os cumprimentara.
Cícero tomou a palavra para responder:
— Nossa visita inesperada se deve ao fato de eu ter descoberto que a compensação que o senhor recebeu ao deixar o Grupo Machado foi bastante injusta. Por isso, vim procurá-lo pessoalmente. Farei o possível para atendê-lo, seja financeira ou materialmente. A sua contribuição para o Grupo Machado merece ser reconhecida.
Ao ouvir isso, um brilho de interesse cruzou rapidamente o olhar de Evandro, escondido por trás das lentes dos óculos.
Evandro falou:
— Soube que você reassumiu seu cargo no grupo, Cícero. Fico lisonjeado por ter se lembrado de mim logo que retornou.
Depois dos elogios, Evandro começou a recusar a oferta polidamente:
— No entanto, nunca fui maltratado todos esses anos no Grupo Machado; pelo contrário, recebi muito apoio. Sou um homem que busca paz e não gosto de dever favores, então não posso aceitar sua compensação.

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