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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 579

Eduarda apontou para si mesma:

— Em alguns lugares, quando você nasce mulher, nem sempre é vista como uma filha. Às vezes, você é vista apenas como um peso. Eu fui o que eles chamavam de estorvo que só dava despesa.

Ela continuou de forma leve:

— Mas um estorvo nem sempre é inútil. Quando criança, servia para ajudar nas tarefas de casa. Ao crescer e atingir a idade para casar, bastava arrumar um marido rico; o dinheiro que eles conseguissem com esse casamento ficaria todo para o filho deles gastar. Essa foi a minha maior utilidade como o fardo daquela família.

Quanto mais Cícero ouvia, mais seu coração doía, especialmente porque Eduarda contava tudo num tom muito leve e descontraído.

Essa forma quase sarcástica de falar sobre o próprio sofrimento não aliviava quem ouvia, mas sim despertava uma angústia ainda maior por tudo o que ela havia passado.

Eduarda apoiou o cotovelo na janela do carro, com uma postura preguiçosa, como se estivesse contando o passado de um desconhecido.

Eduarda sorriu ironicamente:

— E de fato, eu me casei com um homem rico. Muito rico, aliás. Eles sentiram muito orgulho disso, e o tratamento melhorava quando vinham pedir dinheiro.

Eduarda bufou de forma cínica:

— E isso foi só por causa do prestígio que você trazia. Eles não estavam nem aí para mim, só queriam saber de você, o homem rico que resolveria os problemas deles.

Falar sobre isso em voz alta só fez Eduarda achar a situação ainda mais irônica.

Ela realmente nunca havia sido amada pelas pessoas que deveriam ser sua família mais próxima.

Mas isso também não era o fim do mundo.

Eduarda observou o perfil de Cícero com certo interesse e perguntou:

— Você ainda acha que aquele lugar pode ser chamado de lar? No máximo, era um lugar onde me mantinham até aparecer alguém disposto a pagar um bom preço por mim.

O coração de Cícero apertou dolorosamente no peito.

Aquela dor dela... depois de tantos anos, só agora ele estava realmente compreendendo de forma clara.

Apesar de ele também ter enfrentado tragédias familiares, seus pais, enquanto vivos, o haviam amado e protegido como um tesouro.

Em comparação, Eduarda teve que caminhar sozinha e desamparada num inverno rigoroso desde o momento em que nasceu.

Cícero sentiu os olhos arderem e uma vontade de chorar, seu coração inundado de compaixão por ela.

Ela virou o rosto para a janela, preferindo observar a paisagem lá fora.

Os dedos de Cícero apertaram o volante com tanta força que os nós ficaram brancos.

Naquele momento, ele simplesmente não sabia mais o que fazer em relação a Eduarda.

Não importava o que ele dissesse, ela se recusava a aceitar um milímetro. A porta do coração de Eduarda parecia ter sido trancada de forma hermética contra ele, não deixando a menor fresta para que pudesse entrar.

Se ele soubesse que se arrependeria tanto hoje, pensou Cícero, com certeza nunca teria tido coragem de machucar Eduarda no passado.

Ele não podia culpar ninguém além de si mesmo; fora ele quem enterrara aquela felicidade com as próprias mãos.

Cícero também ficou em silêncio e continuou dirigindo.

Condomínio de casas de veraneio.

Veículos não eram permitidos na área interna, apenas carrinhos elétricos silenciosos circulavam pelo local.

Cícero estacionou o carro em qualquer vaga no estacionamento, pegou um envelope de papel pardo com documentos e desceu do carro com Eduarda.

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