Eduarda não estava dando muita importância a isso, mas como Cícero continuava olhando para ela, não teve escolha a não ser concordar com um aceno:
— Que seja, qual a importância disso? O que isso tem a ver comigo?
A simples pergunta retórica de Eduarda foi o suficiente para desmoronar todas as defesas emocionais de Cícero.
Fosse verdade ou não, desde que estivesse relacionado a ele, Eduarda simplesmente não se importava.
Essa percepção surgiu de forma extremamente clara na mente de Cícero.
Cícero achou melhor não prolongar aquele assunto desagradável e apenas disse:
— Vamos comer. Arthur, você não marcou uma aula com o instrutor de tênis hoje? Não se atrase. Mais tarde, Damiano vai levá-lo.
Arthur concordou:
— Hum, vamos comer, papai e mamãe!
Arthur ainda não conseguia compreender a complexidade entre os dois, então comeu sozinho e, após pegar suas coisas, saiu com Damiano.
Apenas Eduarda e Cícero ficaram na casa.
Hoje era sábado, dia de descanso, não havia trabalho a tratar, e Eduarda ainda não tinha planos para o dia.
Cícero parecia estar na mesma situação. Eduarda notou que ele sequer vestiu seu habitual terno de três peças.
Cícero se aproximou e perguntou:
— Quer sair para dar uma volta? Aproveitamos para resolver alguns assuntos de negócios.
A princípio, Eduarda não queria sair com ele, mas ao ouvir "assuntos de negócios", hesitou e perguntou:
— Que assuntos de negócios?
Seu foco era exclusivamente o trabalho; ela não tinha a menor intenção de sair apenas para passear com ele.
Cícero deu um sorriso sem graça e continuou:
— Lembra que te falei sobre aquela pessoa que se afastou do tio Roberto? Podemos tentar entrar em contato com ele.
Eduarda assentiu:
— Está bem, espere eu trocar de roupa.
Cícero também subiu para se trocar.
Não demorou muito e ambos desceram. Pareciam até um casal saindo para aproveitar o fim de semana.
Eduarda bufou friamente:
— Aquela não é mais minha casa. Eu não tenho mais família.
Eduarda se lembrava muito bem que havia cortado relações com Teresa e Givaldo Barbosa. De qualquer forma, eles nunca a trataram como filha ou irmã. Haviam se aproveitado dela como parasitas durante anos e retribuído com total ingratidão. Ela já não se importava mais com aqueles parentes que agiam como inimigos.
Ouvindo-a dizer isso, Cícero lembrou-se do que Zenilda havia dito.
Eduarda havia sofrido muito desde a infância, sem nunca receber amor ou carinho.
Cícero perguntou enquanto dirigia:
— Sua mãe e seu irmão, Teresa e Givaldo Barbosa, sempre te trataram assim?
Eduarda respondeu com indiferença:
— Sim. Por que o interesse nisso?
Quando pararam no sinal vermelho, Cícero virou-se, olhou para ela com seriedade e assentiu:
— Eu quero saber.
A viagem estava um tédio, e como Eduarda não se importava muito, resolveu conversar já que ele queria ouvir.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes