Poder vê-la feliz também era algo que o deixava muito feliz.
Se Eduarda não convidou Cícero, era claro que Zenilda faria menos ainda.
Durante a refeição, a professora e a aluna conversaram sobre vários assuntos. O clima estava leve e agradável. Eduarda prolongou a visita por mais tempo e, quando finalmente decidiram encerrar, já eram nove e meia da noite.
Cícero já não estava mais na sala de estar.
Eduarda pretendia pedir um táxi, mas Zenilda a impediu:
— Deixe que o meu motorista te leve para casa.
Eduarda não recusou a gentileza da professora:
— Venho visitá-la outro dia e trago o café que a senhora gosta.
— Está bem, me mande uma mensagem quando chegar.
Zenilda deu instruções ao administrador da casa para que o motorista acompanhasse Eduarda. Somente ao chegar à porta de saída é que Eduarda notou uma silhueta sob a luz do poste.
Cícero estava recostado no carro com um cigarro entre os lábios. O vento frio levantava suavemente as bordas do seu sobretudo preto e bagunçava um pouco os seus cabelos.
Mesmo naquela noite fria e ventosa, o ar sofisticado e nobre de Cícero era difícil de esconder. Agora, misturado a um certo traço de exaustão, ele exibia um charme rebelde raramente visto.
Foi apenas quando Eduarda deu mais alguns passos para fora que Cícero a notou. Ele descartou o cigarro e o apagou com a sola do sapato social de couro.
Ele sorriu para Eduarda e caminhou até parar na frente dela.
— Terminaram de conversar? Vamos para casa. — O tom de Cícero era gentil, porém com uma leve rouquidão, evidenciando o seu estado de cansaço.
À medida que ele se aproximava, Eduarda pôde sentir o cheiro de tabaco em suas roupas. Claramente não era o cheiro de apenas um cigarro; provavelmente, Cícero havia permanecido lá fora aguentando firme e fumando para se manter acordado por um bom tempo.
Eduarda virou-se para o administrador da casa e disse:
— Não precisa incomodar o motorista, eu mesma dirijo o carro dele de volta.
O administrador da casa assentiu educadamente:
— Tenha cuidado no caminho, senhorita. Será sempre bem-vinda quando quiser voltar.
Eduarda fez um sinal positivo com a cabeça, voltou-se para Cícero e estendeu a mão:
— Me dê a chave do carro, eu dirijo.
Cícero deu um sorriso leve:
— Caldo? Para mim? — Cícero estranhou, pois não havia pedido nada à cozinha.
— Sim, a senhora disse que o senhor devia estar com fome. Como o novo chef não tem certeza das suas preferências, ela mandou perguntar ao senhor o que gostaria — explicou a empregada de maneira honesta.
A expressão de Cícero começou paralisada e, logo depois, um brilho de surpresa alegre começou a despontar.
Ele olhou com um sorriso para o andar de cima, onde a porta do quarto de Eduarda permanecia fechada.
Incrédulo, Cícero perguntou novamente:
— Foi realmente a minha esposa quem disse isso? O que ela disse exatamente?
A empregada também era recém-contratada e não tinha ideia do passado entre o patrão e a patroa; achava que eram apenas um casal passando por uma crise.
A empregada explicou:
— Quando a senhora entrou agorinha, disse que o senhor não havia comido o dia todo e que provavelmente estaria com fome. Então, mandou a cozinha preparar um caldo para o senhor. Mesmo falando daquele jeito, me parece que a senhora se importa bastante com o senhor., me parece que ela se importa bastante com o senhor.
Ouvindo aquilo, uma doçura sutil começou a inundar o coração de Cícero.
Eduarda estava mesmo se preocupando com ele. Ainda que parecesse um pouco a contragosto, era inegavelmente uma demonstração de cuidado.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes