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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 575

Poder vê-la feliz também era algo que o deixava muito feliz.

Se Eduarda não convidou Cícero, era claro que Zenilda faria menos ainda.

Durante a refeição, a professora e a aluna conversaram sobre vários assuntos. O clima estava leve e agradável. Eduarda prolongou a visita por mais tempo e, quando finalmente decidiram encerrar, já eram nove e meia da noite.

Cícero já não estava mais na sala de estar.

Eduarda pretendia pedir um táxi, mas Zenilda a impediu:

— Deixe que o meu motorista te leve para casa.

Eduarda não recusou a gentileza da professora:

— Venho visitá-la outro dia e trago o café que a senhora gosta.

— Está bem, me mande uma mensagem quando chegar.

Zenilda deu instruções ao administrador da casa para que o motorista acompanhasse Eduarda. Somente ao chegar à porta de saída é que Eduarda notou uma silhueta sob a luz do poste.

Cícero estava recostado no carro com um cigarro entre os lábios. O vento frio levantava suavemente as bordas do seu sobretudo preto e bagunçava um pouco os seus cabelos.

Mesmo naquela noite fria e ventosa, o ar sofisticado e nobre de Cícero era difícil de esconder. Agora, misturado a um certo traço de exaustão, ele exibia um charme rebelde raramente visto.

Foi apenas quando Eduarda deu mais alguns passos para fora que Cícero a notou. Ele descartou o cigarro e o apagou com a sola do sapato social de couro.

Ele sorriu para Eduarda e caminhou até parar na frente dela.

— Terminaram de conversar? Vamos para casa. — O tom de Cícero era gentil, porém com uma leve rouquidão, evidenciando o seu estado de cansaço.

À medida que ele se aproximava, Eduarda pôde sentir o cheiro de tabaco em suas roupas. Claramente não era o cheiro de apenas um cigarro; provavelmente, Cícero havia permanecido lá fora aguentando firme e fumando para se manter acordado por um bom tempo.

Eduarda virou-se para o administrador da casa e disse:

— Não precisa incomodar o motorista, eu mesma dirijo o carro dele de volta.

O administrador da casa assentiu educadamente:

— Tenha cuidado no caminho, senhorita. Será sempre bem-vinda quando quiser voltar.

Eduarda fez um sinal positivo com a cabeça, voltou-se para Cícero e estendeu a mão:

— Me dê a chave do carro, eu dirijo.

Cícero deu um sorriso leve:

— Caldo? Para mim? — Cícero estranhou, pois não havia pedido nada à cozinha.

— Sim, a senhora disse que o senhor devia estar com fome. Como o novo chef não tem certeza das suas preferências, ela mandou perguntar ao senhor o que gostaria — explicou a empregada de maneira honesta.

A expressão de Cícero começou paralisada e, logo depois, um brilho de surpresa alegre começou a despontar.

Ele olhou com um sorriso para o andar de cima, onde a porta do quarto de Eduarda permanecia fechada.

Incrédulo, Cícero perguntou novamente:

— Foi realmente a minha esposa quem disse isso? O que ela disse exatamente?

A empregada também era recém-contratada e não tinha ideia do passado entre o patrão e a patroa; achava que eram apenas um casal passando por uma crise.

A empregada explicou:

— Quando a senhora entrou agorinha, disse que o senhor não havia comido o dia todo e que provavelmente estaria com fome. Então, mandou a cozinha preparar um caldo para o senhor. Mesmo falando daquele jeito, me parece que a senhora se importa bastante com o senhor., me parece que ela se importa bastante com o senhor.

Ouvindo aquilo, uma doçura sutil começou a inundar o coração de Cícero.

Eduarda estava mesmo se preocupando com ele. Ainda que parecesse um pouco a contragosto, era inegavelmente uma demonstração de cuidado.

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