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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 569

Quando Zenilda observou a culpa que Cícero demonstrava, sentiu-se levemente surpresa.

Ela raramente o via. Primeiro porque não tinha o menor interesse em vê-lo, e segundo porque ele havia sido tão cruel com Eduarda que a vontade era nula.

No entanto, ela não imaginava que Cícero aparecesse naquele estado hoje, parecendo uma pessoa completamente diferente.

Se não fosse pelo mesmo rosto, Zenilda duvidaria de que aquele homem fosse realmente Cícero.

A professora disse calmamente:

— Eu lhe digo isso apenas para que saiba que, nesses seis anos em que a Eduarda esteve com você, ela nunca teve uma vida boa. E a felicidade nunca fez parte dessa relação. Já que agora estão separados, esse é o melhor desfecho para ambos. Pare de persegui-la, o que vocês precisam fazer é viver sem interferir na vida um do outro.

As palavras de Zenilda baseavam-se puramente no bom senso.

Se Cícero e Eduarda tivessem um laço verdadeiro, não teriam chegado a esse ponto.

Cícero não respondeu às palavras dela. Olhou para a figura graciosa e atarefada dentro da cozinha e instantaneamente relembrou a Eduarda de antigamente, que também vivia atarefada pela casa apenas para lhe preparar uma refeição.

Essas mesmas mãos abandonaram os pincéis de desenho, as tesouras de costura, o design e a carreira. Ela abriu mão de tudo por causa dele. Deixou de lado a carreira e passou a se dedicar à casa, satisfeita em cuidar da pequena família que acreditava estar construindo.

Foi ele quem arruinou essa versão de Eduarda com as próprias mãos e, no fim, a perdeu.

Cícero começava a perceber que a determinação de Eduarda em deixá-lo envolvia muito mais do que amar ou não amar.

Ela já havia se queimado por completo no passado e não sobrou nem mesmo uma pequena chama. Assim, naquela época, não havia outra escolha além de partir; caso contrário, não restaria nada no final.

Ele entendia que, se quisesse recomeçar com Eduarda, o caminho seria longo, distante e coberto de espinhos.

Se recuasse apenas um passo, a mínima possibilidade existente entre eles desapareceria de vez.

Ele não podia recuar, a não ser que não a quisesse mais.

Mas a verdade é que o desejo de reconquistá-la chegava a um nível incontrolável.

Cada dia era uma intensa batalha entre a emoção e a razão. Por mais que pensasse, ele tinha que fazer com que Eduarda o aceitasse de livre e espontânea vontade, pois coisas forçadas jamais duram muito tempo.

Cícero baixou os olhos, refletiu em silêncio por um longo tempo e então ergueu o olhar para Zenilda, falando num tom respeitoso e sério:

— Professora Zenilda, todos os erros do passado foram meus. O meu desejo de reparar tudo o que causei à Eduarda não é uma mentira. Mas, acima de tudo, eu descobri que a amo. Eu a amo mais do que qualquer pessoa, e foi a única que eu já amei.

Curiosamente, as memórias mais confusas na mente dela eram exatamente aquelas relacionadas a Cícero.

A respiração dele travou por um momento; baixou o olhar e soltou um sorriso amargo.

Cícero já não sabia o que era melhor: a Eduarda de antes, que o amava mas estava com o coração completamente despedaçado, ou a de agora, que já não nutria nenhum sentimento por ele.

Provavelmente nenhuma das duas era a Eduarda que ele almejava.

Aquela Eduarda, que lhe oferecera todo o entusiasmo e entregara os sentimentos mais puros, não tinha a menor chance de retornar.

Mesmo que ele se arrependesse infinitamente e tentasse consertar, isso era algo impossível de ser recuperado.

O que ocorreu, ocorreu. Algumas coisas, depois de quebradas, nunca voltam a ser como antes.

Cícero só compreendeu essa verdade depois que Eduarda já tinha partido da vida dele.

Observando a expressão dele, que não exibia nenhum sinal de falsidade, Zenilda lembrou-se do comportamento diferente de Eduarda há pouco.

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