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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 570

Zenilda murmurou para si mesma:

— Ah, é isso então. Não me admira que a sombra escura no semblante dela tenha sumido. Ela simplesmente se esqueceu de você.

Ela olhou para ele e prosseguiu com a reflexão:

— E não é perfeito assim? Eduarda se esqueceu de você, então tudo o que aconteceu entre vocês foi apagado. Agora que vocês estão divorciados, o certo seria cada um seguir o próprio caminho, sem interferir na vida do outro. Por que você ainda se apega tanto à Eduarda?

Cícero repetiu mais uma vez, convicto:

— Porque eu a amo e não posso viver sem ela.

A professora o encarou com evidente repugnância e disse:

— Então, quando você precisa dela, diz que a ama. Quando não precisa, a ignora e desfila escandalosamente com aquela Weleska em público? Você agora é um homem solteiro. Não iria para o exterior se casar com a Weleska? Desistiu do casamento?

Aos olhos de Zenilda, aquele homem inconstante não era nem de longe digno de Eduarda.

A filha dela merecia alguém que a tratasse genuinamente bem, alguém como Franklin. Ou mesmo que Eduarda optasse por não se casar, ela seria capaz de cuidar bem da garota.

Cícero se defendeu e explicou:

— O que há entre Weleska e mim não é amor. O que sinto por ela sempre foi gratidão. Na minha infância, Weleska quase morreu para me salvar. Por conta disso, passei todos esses anos confundindo gratidão com amor. Foi isso que partiu o coração da Eduarda. No fim de tudo, a culpa foi minha, eu reconheço.

Cícero confessou o seu erro com total franqueza.

Ele continuou:

— O erro é meu, eu o aceito e não quero esconder nada. Isso vale para o fato de que eu amo a Eduarda também.

A partir do momento em que compreendeu os próprios sentimentos, ele decidiu ser honesto e encarar o seu próprio coração de frente, sem ocultar mais nada.

Zenilda franziu a testa, hesitou por um momento e questionou:

— Você ainda se lembra de como Weleska salvou você? Onde isso aconteceu?

Sem entender o motivo da pergunta de Zenilda, Cícero respondeu:

— Foi na praia, perto da casa de campo dos meus pais. Naquela época, eu tinha acabado de perdê-los e morava lá sozinho. Eu era uma criança e estava num estado emocional tão ruim que quase morri. Fui salvo pela Weleska, que estava na praia e arriscou a vida por mim. Isso salvou a minha vida. Mais tarde, ambos fomos levados para a sala de emergência de um hospital. Graças ao atendimento rápido, saímos de perigo.

Zenilda analisou cuidadosamente as expressões de Cícero enquanto ele relatava a história, e não encontrou nada de anormal naquele instante.

Pelo visto, Cícero ainda não havia se recordado da verdade e permanecia sendo mantido no escuro.

Zenilda questionou ironicamente:

— Oh? Você mesmo não nota nenhuma falha nessa sua história?

— Por que tamanha agitação hoje? Faz tempo que não te vejo assim.

Cícero avançou e exigiu com urgência:

— Vovô, o senhor pode me contar novamente sobre como a Weleska me salvou naquela época?

O coração de Adilson deu um salto, o movimento de sua mão parou apenas por uma fração de segundo, e então ele continuou a traçar mais um caractere no papel de arroz.

Adilson perguntou, observando a reação dele pelo canto do olho:

— Quantas vezes eu já te contei isso? Por que está perguntando de novo?

Dessa vez, Cícero foi insistente e falou a sério:

— Eu quero escutar mais uma vez. Eu era muito pequeno naquela época e não consigo me lembrar com clareza.

Para evitar que Cícero suspeitasse de algo, Adilson repetiu a "versão dos fatos" que já contara tantas vezes.

Adilson respondeu com tom sereno:

— Você morava sozinho na casa de campo dos seus pais, imerso em depressão. Naquela noite, você foi arrastado pelas ondas para dentro do mar. Quando a sua vida esteve por um fio, a Weleska, que estava na praia naquele momento, viu a situação e salvou você, salvando sua vida. Mais tarde, os dois foram levados para o pronto-socorro do hospital e, felizmente, graças à rapidez do atendimento médico, ambos saíram do risco de vida.

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