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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 565

Até o momento em que saíram pela porta, Cícero manteve o segredo, sem dizer a Eduarda para onde a levaria.

Eduarda também não estava muito no clima para fazer perguntas. Ao sair da mansão e sentir o espaço aberto e o ar fresco, seu humor, no entanto, melhorou consideravelmente.

Naquele dia, Cícero dispensou a presença de Damiano. Ele mesmo foi dirigindo, com Eduarda no banco do passageiro, permitindo-lhe observar as reações dela com o canto do olho.

Durante o trajeto, Eduarda praticamente o ignorou. Só quando o carro entrou por ruas familiares é que ela finalmente se deu conta do destino.

— Como você sabe disso? Quem te contou?

Ela virou o rosto para encará-lo em um semáforo vermelho. Ao observar o perfil de traços marcantes dele, não pôde deixar de ficar desconfiada.

Cícero deu um leve sorriso, retribuindo o olhar, e explicou:

— Depois que descobri, quando estava no exterior, que você era a Ember, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre a nossa renomada designer.

Seguindo essa única pista e utilizando sua extensa rede de informações, descobrir que a mentora da Ember era Zenilda Figueiredo não foi nada difícil para Cícero; pelo contrário, fora uma tarefa das mais simples.

Eduarda soltou uma risada de escárnio, com preguiça de prolongar a discussão.

— O Sr. Machado realmente tem muito tempo livre para investigar essas trivialidades.

Ela comentou num tom provocativo e sarcástico, mas não esperava que Cícero levasse a alfinetada a sério.

Aproveitando os poucos segundos restantes de farol vermelho, Cícero inclinou-se na direção dela e falou com profunda seriedade:

— Não são trivialidades. Não se subestime. Para mim, você sempre será a prioridade número um.

O sinal abriu. Cícero rapidamente voltou à sua posição, deixando Eduarda encarando seu perfil concentrado no trânsito.

Eduarda não sabia descrever exatamente o que sentiu.

Inicialmente, ela já havia se acostumado — e até ignorado — o recente hábito de Cícero de soltar palavras afetuosas a cada momento.

Porém, naquele exato instante, uma sensação estranha surgiu: um misto de ressentimento persistente e indiferença.

Era como se, ao ouvi-lo dizer aquilo, ela devesse sentir um alívio imenso, como se emoções reprimidas por muito tempo finalmente tivessem encontrado uma válvula de escape.

Cícero continuou observando as expressões de Eduarda. Nenhum detalhe das emoções estampadas no rosto dela escapou aos olhos dele.

Ele desceu do carro, deu a volta e abriu a porta do lado de Eduarda.

Ao ver o homem à sua frente inclinando-se e oferecendo a mão para ajudá-la a sair, Eduarda bufou. Ela esquivou-se do gesto de Cícero e desceu sozinha.

Cícero não se irritou com a clara demonstração de desprezo dela.

Como se já estivesse acostumado a ser ignorado, ele foi até o porta-malas, retirou os presentes e seguiu os passos de Eduarda portão adentro.

Ao adentrar a propriedade, as hesitações de Eduarda se dissiparam. Chegara a hora de se desculpar com sua mestra; afinal, fugir não resolveria os problemas.

A chegada de Eduarda e Cícero rapidamente chamou a atenção do administrador da casa. Ao reconhecer Eduarda, ele veio recebê-la com imenso entusiasmo:

— A senhorita voltou! Por favor, entre e fique à vontade. Vou avisar a Dona Zenilda.

Eduarda assentiu, acomodando-se confortavelmente no sofá da sala de estar.

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