Ouvindo a resposta afirmativa ecoar em seus ouvidos, Franklin fechou os olhos como se toda a sua força o tivesse abandonado.
Muito tempo depois, ele finalmente esboçou o mesmo sorriso gentil de sempre.
Ele tirou o próprio paletó e o colocou sobre os ombros de Eduarda.
— Considere essa a minha última chance de cuidar de você. Não fique exposta a esse vento frio — Franklin sorriu e disse.
Apesar da nítida voz rouca de dor, ele não disse nem mais uma palavra que pudesse deixar Eduarda constrangida.
— Você veio dirigindo? Ou quer que eu te leve de volta? Onde você está morando agora?
Eduarda não respondeu, apenas balançou a cabeça.
Franklin não insistiu. Pegou o celular e enviou uma mensagem para ela.
— Este é o contato do médico que cuidou de você no hospital no exterior. Como eu provavelmente não vou poder te acompanhar mais, lembre-se de entrar em contato com ele regularmente. Quando chegar a hora de fazer os exames de rotina, não tenha preguiça de ir, como você fazia antes. Assim que a sua saúde estiver completamente estabilizada, você não precisará mais voltar lá.
— Cuide bem de si mesma. Sempre que sentir tontura ou desconforto, pode ligar para ele. Ele é um ótimo profissional e vai te orientar da melhor forma possível.
Franklin hesitou, mas acabou optando por não mencionar absolutamente nada sobre o problema da perda de memória dela.
O estado geral de Eduarda parecia bom, e ele não queria lhe causar angústias desnecessárias.
Franklin deu um passo para trás, criando uma distância física entre eles, e pronunciou suas últimas palavras.
— Eduarda, desejo que você seja muito feliz. Eu... vou indo.
Dito isso, ele caminhou, passando por ela sem encostar, e afastou-se da praia.
Eduarda virou-se lentamente. Observando-o se afastar, as lágrimas escorreram sem controle.
Ela já não conseguiu segurar o choro. Com a visão embaçada pelas lágrimas, viu Franklin desaparecer aos poucos ao longe, até que sua silhueta desapareceu por completo.
Ela afastou a mão de Cícero e limpou as próprias lágrimas. Estava sem energia para continuar chorando, e a única coisa que restara foi uma sensação sufocante de vazio no peito.
Cícero disse em voz baixa:
— Deixe-o ir. A partir de hoje, eu a tratarei muito melhor do que ele jamais tratou. Fique comigo. Vamos começar de novo.
Suas palavras transbordavam tanta certeza que seria impossível duvidar da veracidade do que dizia.
Mas, mesmo diante dessa promessa, Eduarda, recém-saída de uma turbulência emocional devastadora, não possuía forças para lidar com ele.
Estava exausta demais, sem a menor vontade de pensar em romances ou complicações amorosas.
Como se tivesse perdido todas as energias, ela se deitou na areia. O único som era o vaivém rítmico das ondas do mar. O céu continuava carrancudo, sem qualquer sinal do sol ou de um azul limpo, coberto por um manto pálido e cinza.
Ela ficou deitada assim por um longo tempo, com Cícero sentado ao seu lado, fazendo-lhe companhia em absoluto silêncio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Diamantes e Cicatrizes