Ao atender o telefone, Eduarda não disse nada. Ela apenas ouviu o que Cícero faria.
Cícero ficou em silêncio por um instante, antes de perguntar:
— Precisa que eu te ajude de novo, Sra. Machado?
Eduarda entendeu imediatamente o que ele queria dizer.
Ela olhou para trás e viu a silhueta de um homem vestindo um terno preto.
Não precisou pensar muito para saber que era alguém enviado por Cícero. Do contrário, ele não teria feito aquela pergunta.
Eduarda sorriu, deixando de propósito que Franklin visse seu rosto iluminado.
Ela respondeu ao telefone:
— Claro, venha me buscar. Eu também estava com saudades de você, meu amor.
Ouvindo o tom apaixonado com que ela falava ao telefone, Franklin sentiu um aperto doloroso no coração.
Do outro lado da linha, Cícero ficou surpreso. Embora se sentisse superficialmente feliz com a intimidade na voz dela, no fundo ele sabia perfeitamente bem que Eduarda estava apenas atuando.
Cícero deu uma risada baixa e respondeu com o mesmo tom sedutor:
— Espere aí mesmo, minha esposa.
Eduarda sorriu e concordou. Os dois desligaram ao mesmo tempo.
Cícero não perdeu um segundo na mansão. Pegou o paletó, as chaves, entrou no seu carro esportivo e acelerou rapidamente em direção a Nova Aurora.
A pressa para chegar até Eduarda era tanta que o carro avançava pela rodovia em alta velocidade.
Enquanto isso, na praia, Eduarda e Franklin continuavam em pé, expostos à brisa marítima.
Ela abaixou o celular. Dessa vez, decidiu endurecer o coração até o fim. Prolongar aquele sofrimento não ajudaria em nada.
— Você ouviu. Eu já me reconciliei com ele, então preciso terminar com você. Franklin, eu não quero mais você. Vá embora. A partir de hoje, não vamos mais nos falar.
Cada palavra de Eduarda soava fria e cortante.
No entanto, suas mãos trêmulas escondidas atrás das costas revelavam a verdade. Dizer aquelas palavras era como se ferisse a si mesma, deixando um vazio doloroso dentro do peito.
Ele continuava com a mesma expressão gentil e serena, mas as lágrimas no canto dos olhos o denunciavam.
— Eduarda, eu não acredito em você. Essas não são coisas que você diria — Franklin murmurou de cabeça baixa. Ele limpou as lágrimas, ergueu o rosto e sorriu docemente para ela. — Mas se você vai insistir nessa ideia, eu posso tentar te entender. Talvez eu não concorde com a sua atitude, mas respeitarei a sua decisão.
— Eduarda, vou te perguntar uma última vez: você realmente quer terminar comigo e voltar para o Cícero? Se a sua resposta for sim, farei o que você quer e não te incomodarei mais.
— Mas se a resposta for não, eu vou te levar daqui agora mesmo. Não importa o que tenhamos que enfrentar, eu nunca mais vou me afastar de você.
As palavras de Franklin foram tão sinceras que, ao olhar para ele, Eduarda deixou escapar uma lágrima sem perceber.
Suas mãos, ainda escondidas nas costas, estavam cerradas com tanta força que as unhas cravavam nas palmas, e tremiam incontrolavelmente.
Eduarda respirou fundo e demorado, e fixou o olhar em Franklin mais uma vez.
— Sim... eu vou me separar de você.
Ela fez uma pausa e continuou:
— Talvez nós só tenhamos nos cruzado por acaso. Só fomos destinados a viver juntos por um curto período de tempo, nada mais.

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