A expressão de Cícero não se suavizou nem um pouco. Pelo contrário: seu aperto no braço dela ficou ainda mais forte.
— Está doendo, Cícero. Pode me soltar, por favor...? — Weleska fez uma expressão sofrida.
Só então Cícero largou o braço dela com brusquidão. Sem dizer uma palavra, abaixou-se e recolheu silenciosamente o livro que ela tinha jogado no chão.
Depois, ainda limpou com cuidado a poeira da capa antes de devolvê-lo a Eduarda.
Sorriu para ela e disse:
— Seu livro. Não sujou.
Eduarda abaixou os olhos e olhou o livro, mas o clima já tinha sido completamente estragado por Weleska, e ela não estava mais com vontade de ler.
Então ergueu os olhos para observar os dois à sua frente. Pareciam encenar uma peça, trocando falas ensaiadas, e ela simplesmente não tinha paciência para continuar assistindo.
Pousou a xícara de chá sobre a mesa, ignorou o livro e se levantou, pronta para subir.
Mas Cícero tentou impedi-la.
— Você disse que queria dar uma volta. Quer que eu vá com você?
Ao ouvir o tom quase implorante e esperançoso de Cícero, Eduarda apenas lhe lançou um olhar frio.
— Já passou a vontade. Você e sua amante acabaram com o meu humor.
Sem hesitar, soltou aquilo e subiu direto para o quarto.
A porta se fechou com força. Cícero ergueu os olhos e soltou um suspiro frustrado.
Só quando teve certeza de que Eduarda não sairia mais do quarto é que ele relaxou um pouco a postura e percebeu Weleska ainda parada ao seu lado.
Ela permanecia ali, com lágrimas nos olhos, esperando que ele lhe desse atenção.
Só então Cícero se virou para ela.
— O que você veio fazer aqui?
Cícero a rejeitou de forma direta:
— Weleska, acho que já deixei isso bem claro antes. O melhor é voltarmos a ser só bons amigos.
Obviamente, Weleska não estava disposta a aceitar. Mas, vendo que a atitude dele era praticamente inflexível, percebeu que precisaria mudar de estratégia.
Então levou a mão à testa, fingindo estar fraca e tonta. Cambaleou de propósito e, depois de um tropeço muito bem calculado, caiu nos braços de Cícero.
— Cícero, eu não estou me sentindo bem... Você pode me levar para o hospital? — implorou, fazendo-se de vítima.
Cícero não a sustentou por muito tempo. Apenas a ajudou a se sentar no sofá. Ao notar que ela parecia realmente indisposta, pediu ao administrador da casa que chamasse o médico.
Weleska não fazia ideia de que a mansão tinha médicos e equipamentos médicos à disposição.
Claro que não tinha como saber. Cícero nunca lhe contou que toda aquela estrutura havia sido preparada especialmente para Eduarda.
Ele tinha tanto medo de que alguma coisa acontecesse com a saúde dela que providenciou tudo aquilo na mansão, justamente para garantir sua segurança.

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