Eduarda olhou para Arthur. Ele estava sentado de pernas cruzadas no tapete, diante da mesa de centro, abrindo o caderno com todo cuidado e se preparando seriamente para fazer a lição.
Percebendo que a mãe o observava, o rostinho dele se abriu num sorriso doce.
— Mamãe, eu vou fazer a lição bem caprichada. Não vou incomodar a senhora.
Eduarda o observou por mais um instante, assentiu e foi para o banheiro. A água da banheira já havia sido preparada pelos funcionários. Ela tirou a roupa e entrou. A água morna envolveu seu corpo de imediato, dando-lhe a sensação de que, pelo menos por alguns instantes, poderia esvaziar a mente.
O calor parecia penetrar cada centímetro da sua pele, fazendo o corpo e os músculos relaxarem profundamente.
Naquele momento, ela pensava no presente e no futuro.
A verdade era que se sentia um tanto perdida.
Já tinha se acostumado à vida no exterior, mas aquele lugar estava cheio de memórias com Franklin. Mesmo que quisesse voltar para lá, aquele homem já não estava ao seu lado.
Quanto a ficar no Brasil, ela também não tinha grandes planos.
Profissionalmente, já havia alcançado sucesso suficiente. O lado do design ia muito bem e, mesmo que se ausentasse por um bom tempo, Pérola, o Sr. Guerra e o restante da equipe seriam perfeitamente capazes de administrar tudo.
Do lado da Aurora Tech Investimentos S.A., Rafael a procurara de novo, querendo que ela voltasse. Só que Eduarda parecia ter perdido grande parte da própria ambição profissional. Retornar à Aurora Tech certamente lhe garantiria uma ótima trajetória, mas, naquele momento, ela preferiu recusar.
Talvez os conflitos recentes envolvendo o Grupo Nogueira e o Grupo Machado tivessem esgotado sua paciência e drenado seu interesse por jogos de poder e guerras corporativas. Essa desilusão fazia sentido. Afinal, depois de tantas disputas, o que sobrava nas mãos de alguém eram apenas ações frias e poder vazio.
Depois de sobreviver àquele terrível acidente de carro, esse tipo de vida já não lhe parecia tão atraente.
Bastava gostar do próprio trabalho e ter dinheiro suficiente para viver. Ter ao lado alguém com quem pudesse se aconchegar e conversar nas noites frias, atravessando juntos as estações e os dias... Aquela rotina pacífica e feliz era, provavelmente, tudo o que ela mais desejava agora.
O problema é que isso era muito mais difícil de alcançar do que a maioria das coisas neste mundo.
Eduarda hesitou um pouco, mas acabou cedendo. Aproximou-se, sentou-se no sofá ao lado da mesa de centro e pegou o caderno das mãos do menino.
— Você foi muito bem, Arthur. Só errou uma questão.
Ela apontou a resposta errada e colocou o exercício diante dele, aproveitando para explicar a correção.
Arthur ouviu com atenção e, em seguida, encheu a mãe de elogios:
— Nossa, mamãe é muito inteligente! Você explicou de um jeito que eu entendi na hora, até melhor do que a minha professora particular.
Eduarda apenas sorriu de leve e afagou o cabelo dele.
Logo depois, bateram à porta. Cícero entrou e encontrou os dois sentados na sala íntima do quarto, convidando-os a descer para comer.

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