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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 539

— Venham enquanto ainda está quente. Arthur, traga a mamãe para baixo.

Arthur assentiu, todo animado:

— Uhum!

O estômago de Eduarda também já roncava, então ela acompanhou Arthur escada abaixo.

Na sala de jantar, Cícero ainda usava avental. Ele colocou mais uma tigela de porcelana sobre a mesa. Quando Eduarda se aproximou e os olhares dos dois se encontraram, ele lhe ofereceu um sorriso extremamente carinhoso.

Puxada por Arthur, Eduarda sentou-se em sua cadeira sem retribuir nem um pouco a gentileza de Cícero.

O sorriso dele vacilou de leve. Ele piscou rápido, fingindo que a indiferença dela não o havia ferido.

Tirou o avental, entregou-o ao administrador da casa e sentou-se diante de Eduarda.

Então começou, por conta própria, a explicar o jantar que tinha preparado.

— Da última vez, você comentou que não gostava de mingau salgado. Desta vez, fiz uma versão levemente adocicada e bem nutritiva. Prova, talvez você goste.

Eduarda olhou para o prato à sua frente. Só de bater o olho, dava para perceber a falta de técnica no preparo. Seu olhar vacilou por um instante.

Então ela disse:

— Eu realmente não entendo por que você insiste em se desgastar à toa. Nós temos cozinheiros profissionais. Da próxima vez, deixe que eles façam.

O coração de Cícero apertou, e as palavras dela deixaram uma dor nítida em seu peito.

— Eu queria preparar com as minhas próprias mãos. Se você não gostou, posso tentar de outro jeito na próxima — respondeu ele, pegando uma colher para provar o próprio prato. De fato, o sabor deixava a desejar.

Ele estendeu o braço para impedi-la de comer.

Aos olhos de Eduarda, aquela atitude era inútil.

— Não precisa fazer esse teatrinho. Eu já não sou mais ninguém para você. Se antes eu já não me importava, agora menos ainda. Você pode até trazer essa mulher para morar nesta mansão que eu não vou ligar, contanto que não façam barulho e não atrapalhem meu descanso.

No exato instante em que pronunciou essas palavras, Eduarda sentiu uma fisgada aguda no coração. Mas a dor durou só um segundo, e logo ela se recompôs.

Nem ela mesma saberia dizer de onde vinha aquele abalo repentino.

Era como se, em algum passado esquecido, cenas como aquela já tivessem despedaçado seu peito antes, mas sem deixar qualquer memória nítida.

“Deve ser só o cansaço”, pensou consigo mesma, empurrando a sensação para longe.

Cícero, por outro lado, remoía tudo de forma completamente diferente. A amnésia de Eduarda era real, e ela havia apagado totalmente a história que os dois tinham construído.

O fato de ela conseguir falar do envolvimento dele com Weleska com tanta indiferença provava que, no fundo, já não se importava minimamente com aquilo.

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