Eduarda não demonstrou grande reação. Ao observar pai e filho ao seu lado, sentiu o coração ser tomado por um profundo sentimento de impotência.
Ela estava realmente exausta naquele dia. Sua mente parecia ter chegado ao limite, deixando-a sem energia para qualquer outra coisa. Tentou subir as escadas, mas foi impedida por Cícero.
— Vou pedir para prepararem alguma coisa para você comer. O que você quer? — perguntou ele.
Eduarda balançou a cabeça.
— Estou sem apetite. Não precisa.
Mas Cícero claramente não pretendia simplesmente deixá-la subir. Insistiu em preparar algo para ela e chegou a arregaçar as mangas antes de entrar na cozinha.
Nas lembranças de Eduarda, nunca existira a imagem de Cícero cozinhando. Vê-lo ocupado entre panelas naquele momento parecia até estranho.
Ela não fazia ideia do que tinha dado nele. Desde a vez em que ele preparou café da manhã para ela, parecia ter desenvolvido uma espécie de obsessão por cozinhar com as próprias mãos.
É claro que Eduarda não estava com disposição para corresponder a esse tipo de capricho, então preferia fingir que não via. Normalmente ignorava os pratos feitos por ele e, mesmo quando percebia a frustração estampada no rosto dele depois de ser rejeitado, não se importava.
Não é porque alguém se esforça por você que você tem obrigação de aceitar.
Agora ela entendia muito bem esse princípio; ao que tudo indicava, Cícero ainda não.
Mesmo assim, Eduarda sentia que não era responsabilidade dela ensiná-lo. Cada pessoa tinha as próprias teimosias, e ninguém era obrigado a se envolver nelas.
Quando tentou subir as escadas de novo, Arthur se agarrou à perna dela, esfregando-se com carinho.
— Mamãe, você pode brincar comigo um pouquinho? Eu ganhei um monte de brinquedos legais e queria brincar com você.
Diante do olhar cheio de expectativa do filho, Eduarda sentiu pena de recusar, mas a verdade era que estava sem forças.
— Outro dia, Arthur. A mamãe está cansada hoje e quer ir para o quarto descansar — disse ela, num tom suave.
Os olhos de Eduarda baixaram.
O que ele esperava conseguir com aquilo? Comprar a simpatia dela?
Ela soltou uma risada debochada.
A babá bateu à porta para trazer os cadernos de Arthur e aproveitou para perguntar se Eduarda precisava de alguma coisa.
— Não preciso de nada. Podem continuar com o trabalho de vocês. Só não me incomodem enquanto eu descanso.
A funcionária não ousou dizer mais nada e saiu do quarto em silêncio.
Na verdade, ela queria comentar que o patrão estava se desdobrando na cozinha para preparar algo para Eduarda, mas, ao ver o total desinteresse dela, achou melhor não se meter.

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