Cícero se virou e viu Franklin parado atrás dele, encarando-o.
Franklin tinha uma expressão confusa, visivelmente incomodado, sem entender o motivo de Cícero estar ali.
— Por que você está aqui? — perguntou novamente.
Cícero se levantou e o encarou. Nenhum dos dois demonstrava o menor sinal de recuo.
Com a voz fria, Cícero respondeu:
— E o que isso tem a ver com você? Pelo contrário, por que você apareceu aqui? A Eduarda não deve ter marcado nada com você.
Ele devolveu a Franklin, palavra por palavra, o que havia escutado dele naquele dia no restaurante.
Franklin soltou uma risada leve.
— Cícero, você não precisa repetir essas coisas para mim aqui. Não faz sentido.
Então ele passou por Cícero e foi até a porta principal do estúdio.
Cícero percebeu, surpreso, que Franklin conseguia abrir a porta do lugar.
Quando Franklin se virou para fechá-la, notou o espanto no rosto do rival. Poderia ter aproveitado para provocá-lo, mas não estava com disposição para isso, então apenas fechou a porta sem dizer nada.
Do lado de fora, Cícero observou tudo através das amplas janelas de vidro. Franklin cruzou a área de trabalho com familiaridade e foi até a porta da sala de reuniões. Bateu de leve, e todos lá dentro o reconheceram na hora; como se ele não fosse um estranho, a equipe imediatamente relaxou e interrompeu o trabalho.
Franklin pareceu dizer alguma coisa, e todos concordaram com entusiasmo.
Ao ver aquela cena, o coração de Cícero se encheu de uma inveja e de uma insatisfação difíceis de descrever.
Dentro do estúdio, Franklin ergueu duas sacolas grandes de café que havia trazido e distribuiu para a equipe.
— Façam uma pausa. Considerem isso um mimo meu para a chefe de vocês e me deem um tempinho para conversar com ela a sós.
Enquanto falava, Franklin continuava transmitindo aquela sensação acolhedora, como uma brisa suave. A equipe do estúdio percebeu o clima, pegou os cafés com jeito e saiu para dar uma relaxada.
— Vamos conversar em outro lugar.
Eduarda não queria continuar sendo observada por Cícero daquela maneira.
Franklin queria a mesma coisa, então os dois saíram dali, enquanto Cícero, do lado de fora, os via desaparecer do seu campo de visão.
Na sala de descanso de Eduarda,
Franklin a olhou com preocupação e perguntou:
— Eduarda, ultimamente tenho sentido uma inquietação estranha. Não só em relação ao Grupo Nogueira, mas também em relação a você. Desde que você voltou ao país, sinto que alguma coisa mudou, e isso tem me deixado muito inseguro.
Ele pegou a mão dela e, ao sentir o calor entre as palmas, pareceu se acalmar um pouco.
— Eduarda, a situação da empresa começou a melhorar. Embora eu não saiba exatamente o que aconteceu, é fato que já não há mais motivo para preocupação, e a saúde do meu avô também melhorou bastante. Eu tenho uma ideia... mas não sei se você estaria disposta.

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