Eduarda ignorou a pergunta de Cícero. Depois de dar apenas mais algumas mordidas, perdeu completamente o apetite e repousou o seu talher.
Arthur, ainda longe de terminar, com os lábios manchados da comida, inclinou a cabecinha e olhou para Eduarda.
— Mamãe, você só vai comer esse pouquinho? Por que não come um pouco mais? — ele indagou.
Eduarda o fitou com carinho e deu um leve sorriso:
— A mamãe não está com muita fome. Isso já é suficiente.
Cícero notou o quão pouco ela havia se alimentado e sentiu um aperto no coração. Com o cenho franzido, insistiu:
— Diga o que você quer comer, eu peço para a cozinha preparar agora mesmo. Tente comer mais um pouco.
Com os cílios abaixados, ela apenas balançou a cabeça:
— Não precisa dar mais trabalho a eles. Eu já estou satisfeita.
Dito isso, Eduarda se levantou e caminhou em direção à área externa da mansão.
Cícero acompanhou seus passos com os olhos e a viu caminhar até o gazebo no jardim, onde se sentou. Com uma expressão carregada de melancolia, ela olhou para o horizonte, imersa em pensamentos insondáveis.
Cícero tinha uma boa noção de que a pessoa ocupando a mente de Eduarda naquele momento definitivamente não era ele, mas sim Franklin.
Cícero fez um gesto rápido, chamando o administrador da casa:
— Leve um chá para a Dona Eduarda.
O administrador da casa assentiu com um sorriso, elogiou o fato de o senhor sempre zelar pelo bem-estar de sua esposa e foi imediatamente providenciar o pedido.
Cícero voltou a sua atenção para a mesa e fez companhia a Arthur até que o menino terminasse de jantar.
Após a refeição, Arthur começou a demonstrar uma certa agitação hesitante. Percebendo o comportamento do filho, Cícero perguntou:
— Tem algo que queira me dizer?
Arthur gaguejou levemente antes de desabafar:
— Papai, por que eu sinto que tem algo errado com a mamãe? Não sei explicar direito, mas parece que ela não é mais a mesma. O jeito que ela trata a mim e a você está tão diferente de antes...
— Por que a mamãe ainda não entrou? Eu queria tanto mostrar o meu trabalho para ela.
Cícero interveio:
— Guarde isso por hoje. Depois de pintar tudo amanhã, você mostra a obra-prima finalizada para a sua mãe. Agora, vá para a cama.
Exausto, o menino apenas concordou com a cabeça. Carregando seus brinquedos nas mãos, subiu as escadas acompanhado pela babá.
Cícero, por sua vez, ergueu-se do sofá e caminhou para o exterior da mansão. Ao chegar no jardim, encontrou Eduarda ainda sentada no mesmo lugar, aparentando estar totalmente aérea.
Cícero se aproximou lentamente, bloqueando a luz que iluminava o rosto dela. Devido ao forte contra-luz, quando Eduarda ergueu os olhos, não conseguiu decifrar a expressão no rosto do homem.
— Já é tarde da noite, está na hora de você descansar. Amanhã teremos que encarar uma batalha difícil no grupo empresarial — aconselhou Cícero em voz baixa.
Sabendo que se tratava de um assunto sério e inadiável, Eduarda não contestou. Deixou a xícara de chá de lado e ficou de pé:
— Vamos entrar.
Ela praticamente o ignorou, passando reto por ele enquanto voltava para o interior da mansão.

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