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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 504

Eduarda terminou de descer os degraus. Quando Arthur ergueu os bracinhos pedindo colo, ela se inclinou e o abraçou, mas não prolongou o contato. Logo o soltou.

— Pronto, vamos jantar — disse ela.

Ela se endireitou e virou-se sozinha em direção à sala de jantar.

Observando-a se afastar, Arthur baixou os bracinhos com um ar de decepção e olhou para Cícero:

— Papai, por que a mamãe parece estar diferente? Ela não gosta mais de mim como antes?

Se até o pequeno Arthur havia percebido, Cícero não fazia ideia de como explicar que Eduarda de fato havia mudado.

— Claro que não, filho. A mamãe ainda ama você — respondeu Cícero. — Ela só está um pouco exausta. Não vamos incomodá-la enquanto ela descansa, combinado?

Ao ouvir a explicação, Arthur pareceu compreender a situação:

— É verdade! A mamãe acabou de voltar e deve estar muito cansada. Vamos deixá-la descansar bastante, papai.

Cícero apenas assentiu.

Pai e filho observaram, em silêncio, a figura solitária de Eduarda sentar-se à mesa. Havia um desconforto e uma tristeza palpáveis entre eles, mas o receio de desagradá-la os fez engolir as próprias inseguranças e culpas antes de se aproximarem da mesa de jantar.

Arthur assumiu o seu lugar, bem ao lado de Eduarda, enquanto Cícero se sentou de frente para ela.

Cícero fez um leve aceno para o administrador da casa, que imediatamente orientou a equipe para que servissem um caldo.

O administrador da casa serviu o caldo diretamente para Eduarda, anunciando com extremo respeito:

— Senhora, por favor, prove isto. É um caldo nutritivo especial que o senhor encomendou exclusivamente para ajudar a acalmar os seus nervos e recuperar a vitalidade.

Eduarda fitou a tigela impecavelmente servida à sua frente. Embora os ingredientes frescos estivessem visivelmente apetitosos, ela não fez qualquer menção de provar.

Arthur, já segurando o seu talher, inclinou a cabeça e perguntou baixinho:

A mão de Eduarda, que segurava o talher, paralisou no ar. Ela ergueu o rosto para olhar o homem à sua frente, e sua mente começou a divagar mais uma vez.

Não era verdade que ela não tinha gostado do sabor. Com as habilidades de um chef renomado, a qualidade da receita era indiscutível.

O problema era que aquele simples prato lhe trazia uma enxurrada de memórias.

Quando viviam no exterior, Franklin sempre se empenhava ao máximo para fortalecer a saúde e a imunidade dela. Preocupado com o fato de ela comer pouco, ele cozinhava ingredientes altamente nutritivos até transformá-los em caldos ricos e revitalizantes.

Franklin nunca encarava aquilo como um fardo. Era comum que ele passasse horas trancado na cozinha, dedicando uma quantidade imensa de tempo e esforço para o lento preparo das receitas. Naquela época, ele ignorava completamente o mundo exterior, concentrando-se única e exclusivamente em preparar aquelas refeições curativas com as próprias mãos.

Ao recordar daqueles tempos idos e confrontar o fato de que o homem à sua frente não era ele, Eduarda sentiu um aperto no peito e uma ardência na ponta do nariz, inundada por uma tristeza amarga.

Quantas ironias impiedosas o destino ainda os forçaria a enfrentar?

Era como se cada um deles fosse uma mera peça num intrincado jogo de xadrez da vida, aprisionados por suas próprias impotências e pelos desejos inalcançáveis.

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