Cícero sentiu um gosto amargo na boca, mas tentou disfarçar para não irritar Eduarda ainda mais.
Ele se virou e acompanhou os passos dela, caminhando juntos de volta.
Ao chegar ao segundo andar, Eduarda não fez menção de parar, continuando em direção ao terceiro andar.
Cícero a impediu, perguntando:
— Para onde você vai?
Eduarda ergueu uma sobrancelha:
— Para o quarto de hóspedes no terceiro andar.
— Você é a dona da casa, por que iria dormir no quarto de hóspedes?
Eduarda, no fundo, não sabia explicar o motivo, mas instintivamente rejeitava a suíte principal e os quartos do segundo andar.
— Simplesmente não quero, tem algum problema? Quem garante que outra pessoa não dormiu lá enquanto eu estive fora? Pelo menos o quarto de hóspedes deve estar mais limpo.
Aquela dúvida dita de forma tão casual deixou Cícero sem palavras. Ele cerrou os punhos e, em seguida, os relaxou:
— Não vamos morar mais aqui. Vamos nos mudar para o Praia Dourada Residence. A vista lá é bem melhor, acho que você vai gostar.
Eduarda olhou para ele, totalmente confusa:
— Qual o sentido de você fazer tudo isso? Você realmente acha que podemos viver bem juntos de novo?
As atitudes de Cícero a deixavam desconfortável:
— Eu realmente não te entendo, Cícero. Embora eu tenha voltado, isso foi apenas uma condição para o nosso acordo. É melhor você não confundir negócios com a realidade.
Cada palavra de Eduarda carregava uma frieza distante, e quanto mais Cícero ouvia, mais um aperto incômodo tomava conta de seu peito.
— Eduarda, não importa o motivo. Você já voltou. Nossa família está junta agora e não vamos mais nos separar.
Ela soltou um suspiro:
— Se você continuar assim... O que você está fazendo?!
— De jeito nenhum.
A determinação e o brilho nos olhos de Eduarda atingiram Cícero como uma facada. Tremendo levemente, ele soltou os ombros dela.
No entanto, no segundo seguinte, logo quando Eduarda soltou um suspiro de alívio, Cícero a pegou no colo de supetão e a jogou diretamente sobre a cama macia.
Sem dar tempo para ela se sentar, Cícero subiu na cama logo atrás, abraçando-a à força pelas costas e puxando-a para o seu peito.
Sentir o calor repentino daquele corpo tão próximo a deixou extremamente desconfortável. Ela começou a se debater na mesma hora, mas os braços de Cícero eram como correntes, prendendo-a com tanta força que não conseguia se mexer.
Quando Eduarda tentou falar de novo, Cícero cobriu os lábios dela com a mão, pressionando de leve para silenciá-la.
Forçando-se a parecer ameaçador, ele sussurrou:
— Fique quieta. Eu disse que é hora de descansar, então trate de dormir.
Cícero não conseguia mais soltá-la. A sensação de tê-la em seus braços era tão boa, tão acolhedora, que ele simplesmente não conseguia resistir a essa tentação.

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