Eduarda também já tinha percebido isso.
— Sim, eu notei. Ela não gosta de designs exageradamente elaborados, mas também não demonstra nenhum interesse por estilos excêntricos ou excessivamente individualistas. Acho que já entendi qual é o gosto dela.
Os olhos de Eduarda estavam totalmente concentrados na futura noiva, observando cada mínimo gesto.
Ao desviar o olhar rapidamente, acabou cruzando por acaso com um olhar ardente e viu que Cícero a encarava do outro lado.
Eduarda franziu levemente a testa; aquele jeito de Cícero olhar para ela sempre a deixava desconfortável.
Era como se estivesse sendo vigiada por alguma coisa.
Parecia que os olhos dele tinham atravessado toda a multidão apenas para se fixar nela. Sem entender exatamente o motivo daquele incômodo, Eduarda desviou o olhar na mesma hora.
Cícero percebeu a rejeição dela, e mais uma vez uma onda de amargura quente inundou seu coração.
Por um instante, ele teve a sensação de que já nem conseguia mais sentir dor no peito. Tinha chegado a um ponto em que estava tão amortecido que até suas reações deixaram de ser imediatas. Mas essa dormência, por si só, nunca lhe trazia paz.
Ele entendia muito bem o que aquilo significava e deu um sorriso leve, amargo.
Weleska percebeu o comportamento dele e perguntou:
— O que foi, Cícero? Por que essa expressão? A minha modelo está prestes a subir ao palco. Vamos assistir juntos.
Cícero voltou a si, assentiu e direcionou o olhar para a passarela.
A modelo de Weleska entrou lentamente no palco usando um vestido de noiva branco, coberto por incontáveis aplicações brilhantes que imitavam diamantes, todas colocadas à mão. Sob os refletores, a cauda longa e volumosa do vestido brilhava com tanta intensidade que parecia apagar todo o resto ao redor.
Era deslumbrante demais, e as pessoas na plateia não conseguiram deixar de murmurar elogios. Ao ouvir aquilo, Weleska se sentiu profundamente satisfeita.
Ela pensou que aquilo era o mínimo esperado. Cada pedra aplicada naquele vestido tinha custado uma fortuna, e seis artesãos tinham passado dias seguidos costurando cada detalhe sem parar. Era óbvio que o resultado teria um impacto extraordinário.
Weleska estava absolutamente confiante de que aquele vestido chamaria atenção e agradaria à futura noiva.
No caminho, Sabrina falava ansiosamente ao telefone:
Eduarda, que corria ao lado dela, já tinha entendido praticamente tudo.
— Então a modelo não vai conseguir subir no palco de jeito nenhum, certo? Não dá pra pegar emprestada alguma outra que já tenha desfilado, mas que tenha medidas parecidas? — perguntou.
Sabrina respondeu:
— Em teoria, esse seria o caminho mais lógico. Mas o problema é que as que já desfilaram foram embora. Se desse pra chamar de volta alguma que ainda não tivesse ido longe, seria ótimo, mas eu não sei se ainda vai dar tempo.
As duas voltaram correndo para os bastidores e encontraram a modelo sentada numa cadeira, com o rosto cheio de culpa, massageando o tornozelo enquanto pedia desculpas sem parar. Diante daquela cena, nenhuma delas teve coragem de dizer uma palavra mais dura.
Sabrina também começou a entrar em pânico, andando de um lado para o outro e olhando o relógio sem parar. Naquele momento, cada minuto que passava só aumentava a aflição das duas.

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