Sob os olhares curiosos de todos os funcionários ao redor, Eduarda declarou em alto e bom som:
— Hoje realmente está cheio de coincidências. Além de ter tido o privilégio de ver esse lixo do Igor Gattas fazendo escândalo, ainda me deparo com a amante do meu ex-marido.
O tom de Eduarda era surpreendentemente leve. Para ela, aquilo não passava de mais uma coincidência absurda. Não tinha intenção de transformar a cena em algo maior do que já era.
— Minha antiga colega de faculdade e a amante que meu ex-marido mantinha escondida... — continuou ela, como se ponderasse os títulos. — Faz tempo que não nos vemos, não é, Weleska?
Eduarda pronunciou o nome dela sílaba por sílaba e, ao terminar, sorriu naturalmente.
O mundo era mesmo grande e estranho, cheio de coincidências bizarras.
Assim que as pessoas ao redor ouviram aquelas palavras cortantes, o interesse geral aumentou na hora. Fofoca de traição, escândalo conjugal e barraco pessoal era muito mais atraente do que uma simples discussão de trabalho. A multidão, que já começava a se dispersar, voltou a se aglomerar, e ainda mais curiosos se aproximaram.
Ao ouvir Eduarda expor tudo com tamanha tranquilidade, Weleska sentiu o rosto arder de humilhação.
Cerrou os dentes e sibilou:
— Eduarda, chega! O que você está dizendo?
Eduarda fez uma expressão de falsa inocência:
— Ué? Eu falei alguma mentira? Nós estudamos juntas, isso é fato. E você se meteu entre mim e o meu ex-marido, isso também é verdade. Não é?
Ao dizer aquilo, Eduarda percebeu que, no fundo, sentia completa indiferença. Nada daquilo realmente importava mais para ela.
Na visão dela, ainda que o casamento com Cícero jamais tivesse sido um casamento de verdade no sentido afetivo, Weleska continuava sendo a intrusa. Eduarda tinha sido traída por duas pessoas com quem convivia. Por isso, achava que tinha todo o direito de dizer a verdade em voz alta. Afinal, não foi ela quem agiu de forma baixa.
Diante daquela franqueza inabalável, Weleska simplesmente não conseguiu retrucar.
Tentando salvar o próprio orgulho, apelou para a suposta relação emocional com Cícero:
— Ele nunca te amou. Ele me ama. Você sabe disso. Foi você que ocupou o lugar que era meu.
Eduarda acabou soltando uma gargalhada:
Eduarda ficou em silêncio por alguns segundos e, com a paciência já no limite, respondeu:
— E daí? O que você quer provar com isso? Se vocês se casaram, ótimo. Parabéns para vocês. O que você espera? Que eu mande flores?
Naquele momento, Eduarda concluiu que Weleska devia estar à beira de um surto.
O simples fato de ela não ter arrancado os cabelos da amante já era bondade demais. E agora Weleska ainda vinha cobrar satisfação em público? Parecia que o mundo tinha mesmo perdido o senso do ridículo.
Weleska ficou sem palavras diante da resposta.
Ao mesmo tempo, uma dúvida venenosa começou a se instalar em sua cabeça. A atitude completamente indiferente de Eduarda não se parecia em nada com a mulher derrotada que ela conhecera antes.
O que realmente lhe dava prazer era ver Eduarda destruída, chorando e implorando por atenção. Só aquela versão submissa e humilhada a satisfazia. Essa nova Eduarda — altiva, fria e totalmente desprendida — fazia seu sangue ferver.
Como ela tinha mudado tanto?
Será que... Cícero já tinha voltado a procurá-la em segredo, e era por isso que ela agora agia com tamanha segurança?

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