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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 390

Ele disse:

— Talvez, mas eu não me importo mais tanto com isso.

Dito isso, Cícero foi embora sem a menor hesitação. As ideias dele e de seu avô haviam tomado caminhos tão opostos que já não era mais viável passarem muito tempo juntos no mesmo ambiente.

Ao vê-lo partir sem sequer olhar para trás, Adilson foi tomado por uma tontura súbita, quase caindo da cadeira.

O velho mordomo da casa, percebendo a situação, correu para ampará-lo, gritando em desespero:

— Rápido, chamem o médico imediatamente!

Alguém correu até os aposentos do médico da família e o trouxe às pressas, enquanto o mordomo ajudava Adilson a se deitar no quarto.

O médico chegou, conectou Adilson a vários aparelhos para examiná-lo e, em seguida, seu rosto assumiu uma expressão de profunda preocupação.

Voltando-se para o idoso, que já havia recuperado um pouco da cor, o médico aconselhou:

— Senhor, seu corpo não está em um estado muito estável agora. O senhor não pode sofrer mais abalos emocionais. Isso pode afetar facilmente sua pressão, seu coração e seu estado emocional. Essa tontura foi um aviso claro do seu corpo sobre o estresse acumulado. Daqui para a frente, precisa evitar irritações a todo custo.

Adilson bufou, respondendo com frustração:

— Eu até queria ter paz, mas você viu o estado em que o meu neto se encontra! Não importa o quanto eu o aconselhe, ele simplesmente não escuta. Está na cara que ele faz isso só para me irritar!

Como trabalhava para a família Machado há muito tempo, o médico conhecia bem a dinâmica deles. Tentando acalmá-lo, ponderou:

— Os jovens têm o próprio caminho, senhor. O mais importante agora é focar na sua saúde e não se desgastar tanto. Tenho certeza de que o Sr. Cícero tem bom senso e saberá o que fazer. Fique tranquilo.

Mas Adilson não estava em um momento de aceitar conselhos.

— Chega, não precisa defendê-lo! — retrucou ele. — Deixe que ele volte para casa e reflita. Perder a cabeça e ignorar minhas ordens por causa de um romancezinho... Pelo visto, ele não está pensando direito.

O mordomo, notando que Adilson massageava as têmporas em sinal de desconforto, lançou um olhar significativo ao médico, indicando que era melhor encerrar o assunto.

O médico compreendeu o recado, calou-se e, após dar algumas últimas instruções sobre os cuidados necessários, retirou-se do quarto.

Um dos funcionários da Praia Dourada, que estava de plantão, viu o médico sair, aproximou-se fingindo casualidade e perguntou sobre a saúde de Adilson. Ao descobrir que o estado do patriarca era instável, afastou-se para um canto isolado e fez uma ligação em segredo.

Roberto acrescentou:

— Ah, e coloque mais gente para ficar de olho no Cícero. Quero saber de cada passo dele, não podemos dar a menor brecha para um contra-ataque. Estou pensando em para onde vou mandá-lo... Ele definitivamente não deve voltar para o Grupo Machado tão cedo, senão vai acabar atrapalhando os nossos planos.

O secretário anotou todas as instruções e retirou-se.

Sozinho, Roberto contemplou o espaçoso escritório que antes pertencia a Cícero. Tudo havia sido reformado de acordo com o seu gosto pessoal. Não restava nenhum vestígio da presença do sobrinho ali, como se ele nunca tivesse existido. De excelente humor, Roberto mandou que entregassem presentes de alto padrão a todos os pequenos acionistas do Grupo Machado, garantindo apoio.

Enquanto isso, na principal sala de reuniões do Grupo Machado, mais uma assembleia de acionistas começava.

Era a primeira desde que Roberto assumira a presidência no lugar de Cícero. Todos os acionistas estavam presentes no horário marcado, aguardando ansiosamente a chegada do novo líder.

As portas duplas se abriram, e Roberto entrou na sala de conferências sentindo-se mais poderoso do que nunca. Todos se levantaram em sinal de respeito.

— Bom dia, Presidente! — saudaram em uníssono.

Roberto abriu um sorriso extremamente caloroso, camuflando com perfeição toda a sua habitual crueldade e ambição.

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