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Ele acenou amigavelmente para os acionistas.
— Por favor, sentem-se. Não há necessidade de tanta formalidade — disse ele, com um tom afável.
Ao ouvirem isso, os acionistas voltaram aos seus lugares. Sob os olhares atentos de todos, Roberto caminhou até a cabeceira da longa mesa e sentou-se na cadeira que sempre almejou — o assento que representava o poder absoluto.
Roberto passou os olhos pelos presentes e, em seguida, fixou o olhar na cadeira que costumava ocupar, a qual agora estava vazia.
Após alguns segundos de silêncio calculado, ele perguntou com uma inocência fingida:
— Onde está o Cícero? Será que... ele pegou trânsito no caminho?
Um dos acionistas respondeu com um tom levemente ácido:
— O senhor deve não saber, Presidente, mas desde que foi afastado por seus erros, o nosso antigo líder não tem dado a mínima para os assuntos da empresa. Ele não se importa mais com o trabalho, então que motivação teria para vir a uma assembleia? Para ser sincero, talvez ele nunca tenha se importado de verdade com o grupo, caso contrário, não teria se envolvido naqueles escândalos que prejudicaram nossos interesses...
— Já chega, não precisa falar assim dele — interrompeu Roberto, fingindo não querer que difamassem Cícero, embora tivesse deixado o homem despejar todas as críticas antes de intervir. — Talvez o Cícero tenha tido algum imprevisto importante.
— Que imprevisto ele poderia ter? Será que está de novo envolvido naquelas confusões com aquelas duas mulheres? Já não fomos humilhados o suficiente em nome do Grupo Machado?
Roberto tossiu duas vezes, fingindo que sua expressão havia escurecido diante daquelas palavras.
— Já basta — disse ele, com um tom mais grave. — Estamos aqui hoje para realizar uma assembleia de acionistas e discutir os negócios do grupo, não para fazer fofocas pelas costas de ninguém.
Apesar da repreensão, um traço de triunfo brilhou nos olhos de Roberto. Em seguida, ele conduziu a reunião com a postura de um presidente e líder inquestionável.
E assim transcorreu uma assembleia onde a troca de poder já era fato consumado, sem a presença do antigo líder.
Naturalmente, todas as deliberações seguiram os desejos de Roberto. Os acionistas, que já haviam sido persuadidos por ele, agora estavam ainda mais leais à sua liderança. Isso fez com que o Grupo Machado se dividisse claramente em três forças: a facção de Roberto apoiada pelos acionistas minoritários, a parte de Cícero, e a maior fatia de todas, pertencente a Adilson, na posição de fundador e presidente do conselho.
— O Cícero com certeza não faz isso por maldade, pai. Ele ainda é muito jovem, talvez ainda não entenda o que é apropriado ou não. A culpa não é totalmente dele.
Adilson bufou, ríspido:
— Se a culpa não é dele, então quer dizer que a culpa é minha, um velho intrometido?!
Roberto rapidamente tentou se explicar:
— Claro que não foi isso que eu quis dizer, pai. Por favor, não me entenda mal.
Com cada palavra meticulosamente escolhida para agradar, Roberto fazia com que Adilson sentisse que aquele filho — a quem nunca dera tanto crédito — era muito mais compreensivo do que o neto que ele próprio havia escolhido como sucessor.
— Se o Cícero tivesse metade da sua consideração, eu não estaria tão estressado a ponto de precisar de todos esses tratamentos. Poupava-me de muita dor de cabeça. Antigamente, ele não precisava de tantos puxões de orelha. Mas agora, por causa de um romance, virou meu inimigo.

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