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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 387

Na Praia Dourada, propriedade da família Machado, Arthur corria em círculos pela cozinha, observando o chef preparar um prato caseiro delicioso atrás do outro.

Arthur estava tão animado que corria da cozinha para a sala sem parar. Quando viu um carro se aproximar da entrada, correu rapidamente para o portão.

Assim que Cícero saiu do veículo, foi surpreendido por Arthur, que abraçou suas pernas com força.

— Papai! Que saudade! Você finalmente chegou!

Os olhos grandes de Arthur transbordavam uma alegria que ele não conseguia disfarçar.

Cícero se agachou, esboçou um sorriso suave e bagunçou o cabelo do filho.

— Sim, vamos entrar juntos — disse Cícero.

Sentindo-se radiante por ser tratado com tanta ternura pelo pai, Arthur caminhou alegremente ao lado de Cícero, apressando os passinhos para acompanhá-lo.

Quando Cícero entrou na Praia Dourada, Adilson estava descendo as escadas. Os dois se encontraram frente a frente.

Cícero não disse nada, apenas parou onde estava.

Adilson franziu a testa, descontente, soltou um bufo pesado e desceu o resto dos degraus, batendo a bengala no chão duas vezes e fazendo um barulho estrondoso.

— O que foi? Agora você me vê e nem me cumprimenta mais? Decidiu que somos inimigos? — disparou Adilson, fuzilando Cícero com o olhar.

Só então Cícero abriu a boca para dizer:

— Vô.

Adilson apontou com a bengala na direção da mesa de jantar e disse:

— Vamos logo, é hora de comer.

Cícero finalmente voltou a caminhar em direção à sala de jantar.

Arthur, sem entender o que estava acontecendo, tinha a cabecinha cheia de dúvidas.

Ele puxou a barra do paletó de Cícero e perguntou, confuso:

— Papai, por que a mamãe não veio com você? Você não chamou a mamãe para vir junto?

Arthur não ficou muito feliz com a ausência de Eduarda.

— Mas o que a mamãe está fazendo? Ela disse antes que ia arranjar um tempo para vir me ver. Por que ela ainda não veio?

Arthur resmungou baixinho para si mesmo e os acompanhou até a sala de jantar, sentando-se em seu lugar. Ele esperou pacientemente até que Adilson e Cícero tomassem seus talheres para, então, pegar os seus e começar a comer.

A mesa estava farta de pratos maravilhosos, mas Cícero não sentia apetite algum. Depois de dar apenas algumas garfadas, perdeu a vontade e os talheres mal se moveram em suas mãos.

Adilson notou e repreendeu:

— Eu mandei você vir para comer. A comida não está do seu agrado?

Cícero ergueu os olhos e encontrou o olhar firme de Adilson. Como se tivesse recebido um aviso, pegou os talheres novamente.

O jantar transcorreu sob uma tensão silenciosa, mas Arthur, sendo muito jovem, não percebeu nada e terminou a refeição alegremente.

Após o jantar, Cícero olhou para Arthur e disse:

— Vá brincar agora. Eu preciso conversar um pouco com o seu bisavô.

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