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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 388

— Ah, tá bom. Então eu vou lá brincar — disse Arthur, saindo logo atrás do velho mordomo.

Ao ver o menino sair, Adilson limpou a boca, encostou-se na cadeira e fixou o olhar em Cícero.

— Você mal tocou na comida. Aposto que está cheio de coisas entaladas para me dizer, não é?

Adilson perguntou, conhecendo os pensamentos de Cícero como a palma de sua mão.

Cícero assentiu e foi direto ao ponto:

— Vô, por que o senhor mandou bloquearem todas as informações sobre ela?

Adilson bufou e rebateu:

— Se você não estivesse negligenciando seus deveres só para ficar atrás dela, eu não precisaria fazer isso. Acha mesmo que eu tenho prazer em me rebaixar a esse nível?

Cícero deu um sorriso amargo:

— E desde quando procurá-la significa negligenciar meus deveres? Não se esqueça de que fui afastado. Ou melhor, fui demitido. Os assuntos do Grupo Machado não precisam mais de mim. Eu sou apenas um desocupado agora.

Cícero falou com uma notável indiferença. Ele já não se importava muito com o fato de ter sido apunhalado pelas costas por Roberto.

Nada parecia mais importante do que descobrir o paradeiro de Eduarda.

Cícero passava todos os dias pensando em onde Eduarda estaria, a ponto de perder o apetite e o sono. Tudo à sua volta havia perdido o brilho.

Era como se a partida dela tivesse levado a luz de seu mundo. Um homem não morre por falta de luz e calor, mas perde totalmente a capacidade de sentir qualquer conforto.

Ele desejava desesperadamente vê-la, saber como ela estava, se havia se recuperado dos ferimentos daquele acidente de carro, ou se tinha algo a dizer a ele. A angústia era tanta que, todos os dias, ele estava à beira de perder o controle e se afogar na própria dor.

Aos olhos de todos, seu desespero atual por Eduarda era o resultado de seus próprios erros cruéis. Cícero sorriu de leve; ele sabia que era exatamente isso, e por isso doía ainda mais.

Saber que havia errado e não ter como consertar absolutamente nada era a parte mais difícil de aceitar agora.

Portanto, todo o sofrimento que sentia, ele merecia carregar sozinho.

Mas como ele poderia se conformar?

Cícero falou em voz baixa:

— Não há o que dizer, vô.

— Eu descobri que a amo, e estou disposto a ficar assim.

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