O rosto de Franklin, ainda molhado de lágrimas, refletia-se com nitidez nos olhos de Eduarda.
Ela piscou lentamente, com um leve sorriso nos lábios.
Franklin acendeu o abajur da cabeceira, iluminando o ambiente ao redor.
Ele disse:
— Vou pegar um pouco de água para você. Me espere um instante.
Eduarda moveu a cabeça suavemente e soltou a mão dele.
Ela o observou caminhar até a mesinha de centro para encher um copo. Ao voltar, ele ajustou a inclinação da cama, permitindo que ela ficasse semi-sentada com mais conforto.
Entregando-lhe o copo, ele a orientou:
— Beba devagar, não tenha pressa. Como você ficou deitada por muito tempo, seu corpo ainda não está acostumado a receber muito líquido de uma vez. Vá com calma.
Eduarda pegou o copo e deu pequenos goles, testando a sensação.
Assim que a água morna umedeceu sua garganta, a secura dolorosa aliviou, como se seu corpo estivesse recuperando a vitalidade.
Ela bebeu apenas o suficiente, e Franklin prontamente pegou o copo de suas mãos, colocando-o na mesa ao lado.
Recuperando um pouco o fôlego, ela perguntou:
— Franklin, há quanto tempo estou deitada? Meu corpo parece tão travado... Ai!
Ao tentar se mover, ela repuxou as feridas em processo de cicatrização e soltou um gemido de dor.
Franklin levantou-se num salto e apertou o botão de emergência, chamando o médico e a enfermeira.
O médico plantonista chegou rapidamente. Fez uma avaliação clínica rápida, examinou o estado dos ferimentos de Eduarda e, em seguida, guardou seus instrumentos.
Aflito, Franklin perguntou de imediato:
— Doutor, como ela está?
Ele estava apavorado com a condição dela, temendo ouvir qualquer notícia ruim.
O médico deu um sorriso tranquilizador e assentiu:
— Não há problema algum. Como ela acabou de acordar, é normal sentir desconforto ao se mover. A condição física dela está excelente. Não precisa ficar tão tenso, Sr. Nogueira, vamos apenas seguir com os exames de rotina para acompanhar a recuperação.
Ouvir aquelas palavras trouxe um alívio imenso. Franklin soltou um longo suspiro.
Eduarda hesitou por um segundo, mas logo assentiu. Franklin a ergueu da cama com delicadeza, e ela logo escorregou para dentro de um abraço quente e firme. Pela proximidade, ela pôde sentir um aroma suave e amadeirado de cedro e almíscar, uma fragrância reconfortante e tranquilizadora.
Ele a acomodou suavemente na cadeira de rodas, cobriu suas pernas com a manta e, só então, começou a empurrá-la.
Eles desceram pelo elevador e, ao saírem pela entrada principal, Eduarda percebeu que a arquitetura do hospital lembrava muito mais uma igreja clássica europeia. O exterior era cercado por vastos campos de flores e um paisagismo impecável, com uma estátua de anjo e uma enorme fonte no centro do pátio. Mesmo à noite, a beleza do lugar não se ofuscava; pelo contrário, o luar banhava tudo com uma suavidade poética.
Contemplar aquele cenário a fez sentir o peito mais leve. Estar longe das paredes sufocantes do quarto e respirar o ar puro melhorou instantaneamente seu humor.
Franklin empurrou a cadeira silenciosamente até um banco perto da fonte, parando no que parecia ser o melhor ângulo para observar a paisagem.
— Está se sentindo melhor, Eduarda? — perguntou ele. — Sente algum desconforto em algum lugar?
— Não, está tudo perfeito. — Ela sorriu e, em seguida, perguntou: — Aliás, Franklin, quanto tempo eu passei dormindo? E o que aconteceu antes de tudo isso?
Acreditando que ela apenas queria se atualizar sobre os eventos recentes, ele explicou:
— Você ficou em coma por quase dois meses. Eu a trouxe do nosso país para cá na esperança de que pudesse se recuperar com mais tranquilidade. Foi até irônico, pois hoje mesmo o médico disse que não sabia quando você acordaria, e você me deu essa surpresa tão rápido.
Eduarda pareceu processar a informação antes de questionar:
— Mas o que causou o meu estado?

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