Cícero sabia que se continuassem conversando, acabariam em uma discussão ainda mais intensa. Então, ele disse:
— Talvez ainda não tenhamos esfriado a cabeça para pensar sobre a nossa situação, Weleska. Cuide da sua saúde primeiro. Se precisar de alguma coisa, fale com o Damiano.
Após dizer isso, Cícero levantou-se e saiu do quarto sem hesitar.
Ao ver as costas de Cícero se afastarem, Weleska não conseguiu mais sustentar o teatro. Arrancou bruscamente o acesso falso colado em sua mão e o jogou para longe.
O coração dela agora transbordava apenas aversão e inveja por Eduarda. Se não fosse pela existência daquela mulher, como a sua vida teria chegado a esse ponto? Era tudo culpa da presença constante de Eduarda em seu caminho. Por causa dela, até mesmo Cícero, alguém que parecia incapaz de mudar seus sentimentos, a tratava daquela forma.
Weleska tomou a firme decisão de encontrar Eduarda. Quando a achasse, faria com que ela desejasse estar morta!
.
Enquanto isso, no exterior, em um quarto privativo de um hospital particular de alto padrão.
Franklin, segurando um buquê de flores vibrantes, tinha acabado de empurrar a porta e entrar.
Ao vê-lo, a enfermeira brincou:
— O Sr. Nogueira trouxe flores para a Sra. Nogueira de novo. O senhor cuida tão bem da sua esposa, é de causar inveja.
Franklin apenas sorriu. Aos olhos daquelas pessoas que não conheciam a verdadeira história, Eduarda era tida como sua esposa.
E o motivo era simples: a dedicação e o cuidado meticuloso que ele tinha com ela.
A enfermeira ajustou a velocidade do soro enquanto observava Franklin colocar as flores na mesinha da área de estar.
Ele se aproximou, analisou o semblante de Eduarda e perguntou:
— Como ela está hoje?
A enfermeira respondeu com um sorriso:
— Tudo ótimo. O médico já passou por aqui e disse que não há com o que se preocupar. A recuperação física dela está indo muito bem. O único detalhe é que o sistema neurológico ainda não apresenta resposta, então é difícil prever quando ela vai acordar.
Era o mesmo diagnóstico de sempre. Embora sentisse um toque de frustração, ver o rosto sereno de Eduarda dormindo ainda aquecia o coração de Franklin.
Ele agradeceu à enfermeira com um sorriso, e ela saiu empurrando o carrinho de medicamentos.
Franklin sentou-se na cadeira ao lado da cama, segurou a mão de Eduarda para aquecê-la e, de cabeça baixa, começou a murmurar, como se estivesse conversando com ela:
— Você já dormiu tanto... ainda não quer abrir os olhos? As folhas de outono neste país são maravilhosas. Durante toda a estação, o chão fica coberto de um dourado vibrante. Seria tão gostoso passear com você por lá, tenho certeza de que adoraria.
A mão dela, que ele ainda segurava, retribuiu o aperto com suavidade.
Com uma voz rouca, porém doce, ela quebrou o silêncio.
De forma lenta e pausada, ela perguntou:
— E o que aconteceu depois na história?
Os olhos de Franklin marejaram instantaneamente. Ao tentar falar, uma lágrima cristalina escorreu por seu rosto.
Ele respondeu no mesmo ritmo suave:
— Depois... a protagonista voltou, aceitou o pedido de casamento e eles viveram muito felizes.
Chorando de alegria, ele se sentou calmamente, perdendo-se no olhar de Eduarda. Ficaram se encarando por um longo tempo, até que, aos poucos, ambos sorriram, vendo seus próprios reflexos nos olhos um do outro.
Franklin segurou firme os dedos finos dela e, com a voz embargada, disse:
— Eduarda, você finalmente decidiu acordar.

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