Naquele mesmo instante, no hospital, Franklin verificava incessantemente a hora em seu relógio de pulso e os números nos monitores que acompanhavam Eduarda.
Até que, em um determinado momento, Franklin apertou a campainha de chamada, e o médico plantonista apareceu rapidamente.
— Os sinais vitais estão estáveis. Já podemos transferi-la, doutor? — perguntou Franklin.
O médico assentiu:
— Sim, mas é fundamental garantir que os equipamentos de transferência tenham padrão de UTI móvel. Caso contrário, não recomendamos a movimentação da paciente.
Franklin respondeu sem hesitar:
— Já preparei tudo. A equipe médica mais especializada está esperando lá fora. Vamos começar agora mesmo.
Franklin não podia esperar nem mais um segundo, pois sabia que cada instante a mais daria tempo para Cícero aparecer e perturbar Eduarda.
Nesse momento, ela com certeza não desejava ver o rosto de Cícero nunca mais.
A única coisa que ele podia fazer era proteger Eduarda, garantindo que ela não sofresse mais nenhum dano e que Cícero perdesse qualquer chance de encontrá-la.
Logo em seguida, sob a densa escuridão da noite, Franklin e Eduarda desapareceram do prédio daquele hospital.
Quando Adilson acordou, já havia recuperado um pouco de suas forças. Assim que desceu as escadas, perguntou:
— Como está o Cícero?
O velho administrador da casa respondeu:
— O Sr. Cícero permaneceu no santuário o tempo todo. Não houve nenhum movimento.
— Vou dar uma olhada. — Adilson mudou de direção e caminhou para o santuário.
Quando a grande porta do santuário se abriu, Adilson avistou uma figura caída no chão ao longe. Era Cícero.
Ele caminhou devagar, parou diante do neto e perguntou:
— Já esfriou a cabeça? Conseguiu pensar com clareza?
Cícero abriu os olhos lentamente. Seu olhar estava lúcido, sem nenhum traço de sono. Ele não havia pregado o olho a noite inteira; sua mente repassava todos aqueles acontecimentos com extrema nitidez.
Ele se levantou devagar. Ficar na mesma posição o deixou com o corpo rígido e dolorido, mas qualquer dor física era insignificante perto da dor em seu coração.
— Sim, eu entendi — disse ele, com uma voz oca.
Observando a sua aparente calma, Adilson realmente acreditou que Cícero havia aceitado a realidade, que ouviria seus conselhos e assumiria seu lugar na família Machado ao lado de Weleska.
Adilson finalmente soltou um suspiro de alívio:
— Que bom. Não deixe que essas questões sentimentais o impeçam de avançar. Você precisa saber qual é o caminho certo para você. Sentimentos são irrelevantes. Quanto ao Roberto, não se preocupe. Enquanto eu estiver vivo, ninguém na família Machado ousará causar problemas.
— Certo — Cícero assentiu levemente, mas seu olhar estava perdido em algum lugar distante.
Ele simplesmente não conseguiria.
Ele compreendia a vontade de seu avô, mas não poderia obedecer.
De que adiantaria conquistar todo o poder e status do mundo se, no fim do dia, ele voltasse para uma vida onde não houvesse ninguém que se importasse de verdade com ele? Se não houvesse ninguém para abraçá-lo e compartilhar o calor numa noite fria até o amanhecer, qual seria o sentido de viver?
Acontece que o aconchego que ele tanto procurava sempre esteve em Eduarda. Ele demorou demais para entender que, sem ela, sua vida voltaria a ser fria e vazia, como se ele apenas existisse no automático.
A paisagem passava como um borrão do lado de fora da janela. Cícero fechou os olhos lentamente, e o rosto puro e belo de Eduarda surgiu em sua mente, fazendo seu coração voltar a doer de forma incontrolável.
No Parque Tropical.
Weleska tomava seu café da manhã na mesa quando uma empregada, sem querer, derrubou um pouco de salada, atraindo imediatamente a fúria dela.
Ela não havia se acalmado nos últimos dias. Cícero a tinha humilhado de forma terrível, transformando-a na piada de todos!
Weleska disparou uma série de insultos e xingamentos contra a empregada, que não conseguiu conter as lágrimas diante das ofensas. O administrador da casa, vendo a situação, teve que intervir:
— Sra. Castilho, ela está um pouco gripada e um pouco desajeitada. Por favor, não seja tão dura com ela. Eu darei alguns dias de folga a ela e providenciarei outra pessoa para atendê-la.
Ainda furiosa, Weleska rebateu:
— Por que eu deveria ser compreensiva com ela? Quem ela pensa que é para me olhar com essa cara?

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