— Você quer me matar de desgosto, Cícero?
— Além de arruinar o seu próprio casamento, ainda vem causar confusão em um hospital!
— O que diabos você está tentando fazer, me responda!
Adilson estava tão furioso que mal conseguia recuperar o fôlego.
Franklin aproximou-se e fez um aceno respeitoso para Adilson.
— Sr. Adilson, eu realmente não queria incomodá-lo a ponto de fazê-lo voltar.
— Mas a presença de Cícero aqui está prejudicando gravemente o tratamento de Eduarda, e não tive escolha a não ser chamá-lo para controlar a situação.
Franklin disse isso enquanto lançava um olhar avaliativo para o estado de Cícero.
O canto da boca de Cícero já sangrava levemente.
Ele pressionou a língua contra a bochecha interna, reconhecendo que a força do avô não era brincadeira.
Ele sabia perfeitamente que havia provocado a fúria do patriarca.
Mas a audácia de Franklin em jogar lenha na fogueira, alegando que ele estava atrapalhando o tratamento de Eduarda, era o cúmulo.
Cícero explodiu de indignação:
— Eu trouxe a melhor equipe médica para o hospital internacional do Grupo Machado!
— Eu só queria levá-la para que ela recebesse um tratamento de ponta!
Franklin não recuou um milímetro:
— Você acha que eu não consigo trazer equipes médicas de excelência, Cícero?
— Pare de ser tão arrogante, você sabe muito bem quais são as suas verdadeiras intenções!
Os dois estavam prestes a iniciar uma nova discussão acalorada quando Adilson bateu a bengala no chão com estrondo.
— Chega de baboseiras!
Adilson voltou o olhar fulminante para Cícero:
— Você vai vir embora comigo agora mesmo.
— O hospital cuidará de Eduarda, e com Franklin aqui, você não precisa se preocupar.
— A sua prioridade agora é voltar e limpar a bagunça monumental que você deixou no seu casamento!
— O seu tio Roberto e os outros membros da família Machado já estão esperando por você na Praia Dourada!
Apesar do ultimato de Adilson, Cícero não moveu um músculo.
Ele resistia silenciosamente à ideia de ir embora.
Ele não queria abandonar Eduarda.
A fúria de Adilson atingiu o ápice:
— Cícero! Você agora também ousa me desobedecer?
— Vocês aí, peguem-no e levem-no daqui!
Assim que as palavras foram ditas, vários seguranças robustos surgiram de trás de Adilson para agarrar Cícero.
Eles eram especialistas em técnicas de imobilização e combate.
Por mais forte que Cícero fosse, alguns segundos de resistência não seriam suficientes para libertá-lo.
Rendido pelas circunstâncias, ele finalmente cedeu:
— Tudo bem, eu vou com o senhor, mas deixe-me vê-la mais uma vez.
Cícero virou a cabeça e olhou para a mulher deitada na UTI.
Ela permanecia frágil, silenciosa e desprovida de qualquer rastro de vivacidade.
Apenas observar aquela cena fazia seu coração se despedaçar.
Adilson bufou com desdém:
O resgate de Cícero do hospital não fora motivado apenas pelo desejo de garantir a paz no tratamento de Eduarda.
A família Machado enfrentava uma crise de decisões críticas, e a presença de Cícero era indispensável.
Adilson continuou a falar com seriedade:
— Roberto exigiu uma explicação formal minha hoje, e eu me recusei a dar.
— Mas assim que você colocar os pés em casa, terá que prestar contas a toda a família Machado.
— Você precisa assumir as consequências do impacto que a sua atitude causou a todos nós, e espero que já tenha ponderado sobre o preço que deverá pagar.
Cícero permaneceu em absoluto silêncio.
Ele encarava a paisagem borrada que passava rapidamente pela janela, com os olhos transbordando uma tristeza inextinguível.
Ele não tinha a menor disposição para lidar com nada daquilo.
Não importava quem queria o quê; ele já não se importava mais com nada.
Quanto mais ele se distanciava de Eduarda, mais sua energia e paz de espírito eram sugadas.
Era como se estivesse sendo assolado pela premonição de que nunca mais voltaria a vê-la.
Seu único desejo agora era que Eduarda pudesse ficar diante dele como nos velhos tempos.
Mesmo que ela nunca mais sorrisse para ele, bastava que estivesse viva e bem.
Uma dor capaz de estraçalhar a alma seria a definição perfeita para o que ele sentia naquele instante.
Foi ali, naquele momento de lucidez cortante, que ele percebeu algo fundamental.
Ele não pensava em mais ninguém e em mais nada.
Nem no poder da família Machado, nem no seu status, nem sequer em Weleska, a quem ele sempre valorizou e foi grato.
Ele simplesmente não se importava mais com essas coisas.

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