Ele só queria pensar em Eduarda.
Depois de tudo o que haviam passado, ele finalmente compreendeu a verdadeira natureza de seus sentimentos.
Ele havia se apaixonado por Eduarda, de forma lenta e imperceptível.
Cada pequeno detalhe da convivência diária com ela havia infiltrado e aquecido o seu coração de gelo.
Ele já havia sido derretido pela gentileza dela há muito tempo.
Agora ele entendia por que, naqueles seis anos, mesmo acreditando não amá-la, nunca havia sentido repulsa por sua presença.
No passado, ele pensava que apenas tolerava a existência dela em sua vida.
Na realidade, ele já havia se acostumado com ela, e já gostava da vida ao lado dela sem sequer perceber.
Foi por isso que, quando Eduarda realmente decidiu partir, ele sentiu um desconforto tão excruciante.
No fundo de sua alma, ele nunca quis deixá-la ir.
Ele já estava apaixonado pela mulher que sempre lhe oferecera calor.
O grande infortúnio foi ter acordado tão tarde para essa realidade.
Agora, as coisas haviam chegado a um ponto de não retorno, e ele não tinha mais nada a oferecer para fazê-la voltar.
O remorso e a dor eram suficientes para destruí-lo de dentro para fora.
Ele teria que suportar tudo aquilo, ciente de que a tragédia havia sido moldada por suas próprias mãos.
O seu único pensamento racional agora era esperar que Eduarda acordasse.
Ele seguraria a mão dela e diria o "me perdoe" e o "eu te amo" que lhe devia há tanto tempo.
Quando ela despertasse, ele imploraria por seu perdão, mesmo que ela se recusasse a olhar em seu rosto novamente.
Adilson observou o neto ao seu lado, que parecia ter perdido a própria alma, e sentiu sua raiva ceder espaço à resignação.
Eles haviam chegado àquele extremo, e agora não havia mais nada que alguém pudesse fazer.
O veículo parou suavemente em frente à imponente residência da Praia Dourada, da família Machado.
O velho administrador da casa abriu as portas para Adilson e Cícero, que desceram e caminharam juntos para o interior da mansão.
Enquanto isso, no hospital, do outro lado da cidade.
Franklin conversava detalhadamente com o médico sobre o estado de Eduarda.
O especialista explicou com clareza:
— Sr. Nogueira, se a condição da Sra. Barbosa se mantiver estável como está agora, ela estará apta para uma transferência.
— O senhor poderá levá-la para tratamento em outra instituição, mas precisaremos observá-la por mais algum tempo para garantir que não haja imprevistos.
— Perfeito.
Franklin assentiu com firmeza.
— Por favor, avise-me assim que for possível realizar a transferência.
Ele despediu-se do médico e retornou ao corredor fora da UTI.
Os valores no monitor cardíaco de Eduarda apresentavam uma clara tendência de estabilidade.
O assistente especial de Franklin, que aguardava ali perto, perguntou em tom discreto:
— Sr. Nogueira, para onde vamos levar a Sra. Barbosa?
Os olhos de Franklin exibiam uma calmaria tão profunda quanto as águas de um lago sereno.
— Tudo tem um limite, e brincar de rebelde também deveria ter o seu.
— Onde você deixou a dignidade da família Machado?
— Nós não podemos mais arcar com os danos terríveis que os seus problemas pessoais estão causando a todos nós!
Os outros familiares começaram a ecoar o coro de reprovações instantaneamente.
— É verdade, Cícero, o que você fez foi inaceitável!
— Você abandonou a noiva sozinha em um país estrangeiro, que papelão!
— Disseram que você fez tudo isso para ir atrás da sua ex-mulher. O que você queria com ela, afinal?
As vozes se sobrepunham em um bombardeio incessante de acusações que deixava Cícero ainda mais perturbado.
Ouvir o nome de Eduarda ser pronunciado naquelas bocas fez com que sua tolerância chegasse ao limite.
Cícero falou em um tom fantasmagórico e letárgico:
— Tio Roberto, seja direto.
— Diga o que você quer de uma vez, sem joguinhos, pois não estou com disposição para isso.
Roberto pareceu momentaneamente desestabilizado pela atitude apática do sobrinho.
Mas logo o choque inicial deu lugar a um orgulho ainda mais inflado.
Com um sorriso perverso desenhado nos lábios, Roberto declarou:
— A vontade coletiva da família Machado é que você entregue todo o poder executivo que ainda tem nas mãos.
— O seu afastamento temporário deve ser transformado em uma renúncia definitiva.

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