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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 366

Por outro lado, Cícero parecia ter perdido toda a sua força vital.

Ele estava encostado na parede, encarando a porta da sala de cirurgia com um olhar assustadoramente vazio.

Finalmente, a longa e sombria noite chegou ao fim, e a luz da sala de cirurgia se apagou.

O médico saiu pela porta, e Franklin levantou-se rapidamente.

Ignorando a dormência de seu próprio corpo, ele caminhou a passos firmes e perguntou:

— Como ela está, doutor?

Cícero também pareceu recobrar um pouco da consciência e aproximou-se para encarar o médico.

O cirurgião retirou a máscara e falou com sobriedade:

— O quadro da paciente não é muito favorável.

— O grave acidente de carro causou lesões em múltiplos órgãos internos e danos cerebrais.

— Somando isso ao fato de que o corpo dela ficou extremamente debilitado após a cirurgia de indução de parto, a situação é delicada.

— Nós conseguimos estabilizar os sinais vitais temporariamente, mas ela precisará ficar em observação na UTI.

— Teremos que aguardar para ver como ela evolui.

Ao ouvir que Eduarda ainda estava viva, Franklin quase chorou de emoção.

Enquanto ela ainda tivesse um fôlego de vida, haveria esperança.

Franklin apertou a mão do médico e expressou sua mais profunda gratidão.

O médico deu um tapinha consolador em seu ombro antes de se retirar.

A porta da sala de cirurgia foi totalmente aberta, e Eduarda foi empurrada para fora deitada em uma maca.

— Precisamos transferi-la para a UTI agora, por favor, abram espaço.

Franklin recuou ao ouvir o pedido, mas seus olhos não conseguiam se desgrudar do rosto de Eduarda.

As bochechas que antes ostentavam um tom rosado agora estavam completamente brancas.

Quase não havia sinal de circulação sanguínea, e a palidez a tornava ainda mais frágil em contraste com seus longos cabelos negros.

O coração de Franklin foi invadido por uma onda densa de amargura.

Ele estava genuinamente preocupado com Eduarda, imaginando o quão apavorada ela devia estar agora.

O quão aterrorizante seria estar presa sozinha em um nevoeiro denso, sem conseguir encontrar a saída.

Mas ele não pôde observá-la por muito tempo, pois as portas da UTI se fecharam novamente.

A equipe médica conectou Eduarda de volta aos monitores, tubos e à máscara de oxigênio.

Ao ver os números estáveis nos equipamentos de monitoramento, Franklin finalmente soltou um suspiro de alívio.

Olhando de relance, ele percebeu que Cícero ainda estava parado no mesmo lugar, perdido em seus próprios pensamentos.

Foi apenas quando Damiano finalmente retornou, após passar a noite inteira fora, que Cícero se moveu sutilmente para ouvi-lo.

Damiano aproximou-se e relatou:

— Sr. Machado, a equipe médica já está organizada.

— Devemos manter a Sra. Barbosa aqui ou transferi-la para o nosso hospital?

Cícero lançou um olhar cortante para Franklin e declarou com frieza:

— Leve-a daqui, cuide disso imediatamente.

Damiano acenou com a cabeça e virou-se para cumprir a ordem.

No entanto, Franklin deu um passo à frente, bloqueando o caminho com firmeza.

Com um leve aceno de olhar de Franklin, os seguranças assumiram posições defensivas implacáveis ao redor da porta da UTI.

A mensagem era clara: ninguém tiraria Eduarda dali.

Cícero e Franklin permaneceram em um impasse tenso por um longo tempo, até Cícero parecer ceder temporariamente e recuar.

Com os olhos obscurecidos por uma escuridão que não podia ser apagada, ele ordenou a Damiano:

— Chame os nossos homens, eu vou levá-la daqui custe o que custar.

Damiano percebeu a crueldade e a loucura latentes no olhar de Cícero.

Embora a ordem tivesse sido dada em um tom calmo, carregava uma obsessão selvagem que crescia sem controle.

Sem poder desobedecer, Damiano afastou-se novamente para providenciar o reforço.

Cícero permaneceu em pé nas sombras, com o rosto oculto pela penumbra.

Franklin o observou, pegou o próprio celular e caminhou até um canto para fazer uma ligação.

-

Pouco tempo depois, o som do elevador ecoou pelo andar.

Cícero pensou que fossem os homens convocados por Damiano, mas não esperava ver quem realmente havia chegado.

— Vovô, o senhor...

Um estalo alto e seco interrompeu a frase de Cícero antes mesmo que ele pudesse terminá-la.

Um tapa violento atingiu seu rosto, fazendo sua bochecha arder instantaneamente com uma dor latejante.

Adilson havia caminhado até ele e o esbofeteado diante de todos sem a menor hesitação.

Não havia restado nenhum traço de clemência naquela ação brutal.

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