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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 362

Damiano não planejava relatar nada a Cícero naquele exato momento, mas seu comportamento estranho jamais escaparia do olhar afiado de seu chefe.

Cícero voltou em sua direção e perguntou em voz baixa.

— O que foi que aconteceu?

Damiano já estava suando frio, mas tentou manter a firmeza na voz.

— Não foi nada, Sr. Machado.

Cícero permaneceu imóvel, com um olhar penetrante que parecia raios-x, afirmando com convicção.

— O que aconteceu no Brasil, me diga exatamente o que foi?

Damiano manteve a boca fechada e balançou a cabeça.

Cícero falou novamente.

— Esta é a primeira vez que você me desobedece, então pense bem se poderá arcar com as consequências. Se puder, não farei mais perguntas, caso contrário, é melhor repensar.

Damiano hesitou por um longo tempo antes de finalmente dar um passo à frente, aproximando-se do ouvido de Cícero para sussurrar uma frase.

O estilista, que ainda aguardava ao lado, viu a expressão de Cícero mudar drasticamente, com o rosto antes tranquilo sendo tomado por uma angústia e tensão absolutas.

Acreditando ter cometido algum erro, o estilista correu rapidamente até ele.

— O que houve, Sr. Machado, fiz algo errado? Podemos consertar de última hora e garantir que o senhor tenha um casamento perfeito, além de...

Mas antes que o estilista pudesse terminar de falar, Cícero passou direto por ele com passos largos, seguido de perto por Damiano, ambos caminhando rapidamente em direção ao estacionamento.

Na deslumbrante capela do castelo, Weleska estava parada na entrada com um sorriso no rosto, vestindo um vestido de noiva suntuoso e brilhante, com o rosto coberto por um véu branco.

— Sra. Castilho, ou melhor, Sra. Machado, a senhora está absolutamente deslumbrante hoje, é a noiva mais bela que eu já vi em toda a minha vida.

A cerimonialista que segurava o buquê a elogiou sem parar antes de entregar as flores frescas e radiantes nas mãos de Weleska.

— Daqui a pouco abriremos as portas pesadas, e o seu noivo estará esperando logo à frente.

A cerimonialista fez um sinal para os guardas abrirem as pesadas e luxuosas portas da capela, enquanto inúmeros flashes de câmeras disparavam simultaneamente.

Weleska sorriu com prepotência e ergueu os olhos lentamente, preparando-se para receber os elogios e os olhares de inveja de todos os presentes.

Mas quando levantou o olhar, o sorriso em seus lábios desapareceu instantaneamente.

Ela permaneceu parada ali por exatos vinte minutos, sem ver nem a sombra de Cícero aparecer.

O murmúrio dos convidados ficou mais alto, e até mesmo a melodia tocada pela orquestra parou abruptamente naquele instante.

Sem a menor coragem de continuar de pé diante da multidão, Weleska agarrou a barra pesada de seu vestido e virou-se, correndo apressadamente de volta para o camarim da noiva.

Ela arrancou o véu branco da cabeça e gritou para o seu assistente, Edson.

— O que diabos aconteceu! Cadê o Cícero?

Edson olhou para a expressão furiosa de Weleska e respondeu, tremendo da cabeça aos pés.

— Ninguém sabe ao certo, dizem que ele entrou no carro e foi embora junto com Damiano, mas para onde, é um verdadeiro mistério para todos...

— Ahhhh!!!!

Weleska perdeu completamente o controle, varrendo com as mãos todas as joias e maquiagens caríssimas da penteadeira para o chão, e ainda não satisfeita, agarrou um frasco de perfume e o atirou contra o espelho, que se estilhaçou em mil pedaços no mesmo instante, refletindo o rosto retorcido e aterrorizante da noiva enfurecida em cada caco quebrado.

O assistente Edson sentiu um medo paralisante ao observar a cena, compreendendo perfeitamente que a humilhação sofrida por Weleska naquele dia era algo intolerável para ela, justificando aquele ataque de fúria.

Mas ele não ousou dizer uma única palavra, sabendo que a única forma de acalmá-la seria se Cícero aparecesse de repente e a exaltasse novamente diante de todos.

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