Cícero chegou ao hospital em um estado de grande agitação, temendo genuinamente que a vida de Weleska estivesse em perigo.
No entanto, a sua preocupação era excessiva, pois o médico o conduziu diretamente ao quarto particular onde ela estava internada.
Weleska repousava na cama com os olhos fechados, fingindo dormir, e apenas os abriu ao notar a aproximação dele.
Ela havia bagunçado propositalmente a própria aparência, buscando despertar a pena e o afeto de Cícero.
Cícero sentou-se à beira do leito, incapaz de conter a pergunta ao ver o rosto pálido da mulher.
— Como você está, Weleska?
A mulher balançou a cabeça de forma delicada.
— Cícero, minha barriga dói e eu não estou me sentindo nada bem.
O médico escolheu aquele exato momento para intervir.
— Senhor, o estado de saúde da Sra. Castilho é delicado, pois os exames recentes indicam ameaça de aborto.
Aquelas palavras não passavam de uma mentira bem elaborada pelo doutor.
Ele havia recebido um bom suborno de Weleska e orientações da diretoria para relatar a situação exatamente daquela maneira.
O médico continuou com a farsa.
— Recomendamos que o senhor priorize o bem-estar dela em todas as ocasiões, pois, caso contrário, não apenas o bebê estará em risco, mas a própria vida da sua esposa poderá ser ameaçada.
Weleska assumiu uma feição de profunda vulnerabilidade, simulando uma tristeza avassaladora diante do diagnóstico.
Ela se ergueu do leito e atirou-se aos prantos nos braços de Cícero, enquanto o médico recuava silenciosamente e deixava o quarto.
Cícero observou a mulher frágil que soluçava contra o seu peito.
Weleska agarrou-se a ele com desespero, tremendo enquanto murmurava contra a camisa dele.
— Por favor, não me deixe, pois eu o amo demais e sinto que você está cada dia mais distante de mim, como se eu estivesse perdendo a razão, será que é tudo coisa da minha cabeça?
Os dedos dela apertavam o tecido da roupa dele com força.
— Talvez seja apenas a gravidez me deixando tão sensível.
Ela adicionou a última frase em um tom necessitado, temendo perder a atenção do homem.
A culpa invadiu o peito de Cícero.
— Me perdoe, Weleska, pois eu realmente negligenciei os seus sentimentos nos últimos dias.
Com o turbilhão de eventos recentes, ele de fato a havia deixado em segundo plano.
Ao refletir sobre a situação, compreendeu que jamais deveria ter permitido que ela sofresse daquela forma.
Afinal, Weleska carregava em seu ventre uma nova vida concedida a ele, tornando-se merecedora de toda a sua devoção.
Cícero soltou um leve suspiro de resignação.
Cícero foi direto ao ponto.
— Qual é a real condição dela e do bebê?
O médico manteve a expressão profissional e sombria.
— A sua esposa está excessivamente frágil devido a complicações de saúde do passado, o que tornou o feto fraco demais para sobreviver até o fim da gestação, uma verdade dolorosa que decidimos poupá-la e compartilhar apenas com o senhor.
As palavras do doutor mergulharam o coração de Cícero em um abismo de gelo.
O destino da criança já estava traçado, condenando o bebê a uma morte prematura no ventre.
Aquela fatalidade causaria um dano irreparável ao corpo já debilitado de Weleska.
Mais uma vez, ela suportaria um martírio incalculável por causa dele.
Uma agonia excruciante rasgou o peito do homem.
Ele engoliu a seco antes de indagar.
— Eu entendo, mas quanto tempo ela ainda tem com essa criança?
O médico suspirou pesadamente.
— No máximo um mês, pois adiar a conduta médica trará riscos severos.
Cícero acenou em silêncio e deixou o consultório.

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