Ele andava como se tivesse toneladas nas costas.
Uma percepção sombria o atingiu de que a sua vida estava espiralando em direção ao abismo de forma incontrolável.
Ele tentou desesperadamente encontrar o exato momento em que tudo havia começado a desmoronar.
No passado, o controle absoluto era a sua maior virtude, mas agora ele se via impotente diante das pessoas ao seu redor.
Até mesmo o seu próprio coração havia se tornado um território hostil e indomável.
Ele encostou-se à janela no final do corredor e acendeu um cigarro, permitindo que a fumaça inundasse os seus pulmões e entorpecesse os seus sentidos.
A fumaça espessa distorcia a sua visão enquanto os pensamentos o consumiam, até que a brasa moribunda queimou a ponta de seus dedos com uma dor aguda.
Ele esmagou o resto do cigarro no cinzeiro.
O tempo para hesitações havia chegado ao fim.
Após um longo silêncio, uma resolução inabalável se formou em sua mente.
Acontecesse o que acontecesse, ele não poderia falhar com Weleska.
Era uma dívida de honra que pesava sobre os seus ombros.
O amor e o sacrifício dela precisavam ser recompensados a qualquer custo.
Ele buscou a mulher no quarto e, assim que chegaram de volta à mansão, decidiu confrontar o futuro.
— Onde você deseja celebrar o nosso casamento? Eu farei os preparativos imediatamente.
Weleska disfarçou o choque, pois não esperava uma rendição tão rápida do homem.
O suborno pago ao médico provara ser um investimento brilhante para dobrar o coração de Cícero.
Ela ergueu o olhar marejado de ternura para o rosto dele.
— Cícero, você realmente está disposto a se casar comigo?
Ele confirmou com um aceno solene.
A certeza da vitória finalmente inundou a alma da mulher.
Ela se jogou nos braços do homem com um entusiasmo contagiante.
— Eu sonho com um casamento em um castelo na Europa, como um verdadeiro conto de fadas, cercado por convidados ilustres e abençoado pelos olhos do mundo inteiro!
Ele acariciou as longas mechas escuras do cabelo dela.
— Está bem, encarregarei Damiano de cuidar de todos os detalhes.
Um triunfo inebriante preencheu o peito de Weleska.
A promessa estava selada, e ela finalmente ascenderia ao posto de Sra. Machado.
Ele abaixou a cabeça em uma rendição muda.
A sua alma havia se transformado em um labirinto sombrio onde nem mesmo a clareza imposta pelo patriarca conseguia resgatar a sua sanidade.
Jamais em toda a sua existência ele experimentara uma paralisia tão humilhante.
Embora o mundo ao seu redor girasse em torno daquela cerimônia, não havia nenhum resquício da euforia que ele julgou que sentiria.
Ele assistia à sua própria vida desenrolar-se como um mero espectador inerte.
Talvez o velho estivesse coberto de razão, reduzindo o fantasma de Eduarda a uma mera dependência rotineira e inofensiva.
O destino havia sido implacável ao decretar que a história dos dois estava fadada à ruína total.
Mas se isso era a verdade, por que o seu peito sangrava de forma tão letal?
A ausência da mulher havia deixado uma cratera dilacerante no seu espírito.
No passado, a ideia de sofrer pela perda dela teria soado como uma piada de péssimo gosto.
Apenas quando Cícero concordou com um aceno letárgico, o patriarca relaxou os ombros.
— O seu afastamento das empresas servirá para que coloque a sua casa em ordem, pois um líder só consegue governar um império quando a sua própria família encontra a paz.
— O seu tio Roberto assumiu o comando interino, mas não se assuste, pois eu limitarei o poder dele para garantir o seu retorno majestoso; apenas exijo que utilize este período para purgar as suas fraquezas e retornar como um monarca implacável, estamos entendidos, Cícero?

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