A declaração bombástica gerou um burburinho ensurdecedor em todo o auditório.
Um jornalista muito ágil levantou-se abruptamente e disparou a primeira pergunta:
— Sr. Machado, os boatos sugerem que a causa dessa crise seria a sua vida pessoal; o senhor quer comentar?
A expressão de Cícero tornou-se ligeiramente sombria:
— Todos esses boatos são absolutamente infundados.
Em seguida, Cícero apresentou um documento impressionante aos presentes, revelando ser o acordo de divórcio assinado por Eduarda.
Os cinegrafistas apressaram-se em focar no documento daquele papel oficial.
Para a decepção geral, as informações mais confidenciais e as cláusulas críticas já já estavam tarjadas.
Ninguém na plateia conseguiu sequer vislumbrar o nome da mulher, deixando todos no escuro sobre a verdadeira identidade e os detalhes da vida da antiga Sra. Machado.
Ao assistir àquela cena pela televisão, Eduarda parou a xícara de café a poucos centímetros dos lábios antes de soltar um riso irônico.
Ela se perguntou qual era o verdadeiro propósito de Cícero com todo aquele teatro.
Esconder a sua identidade do público não passava de uma tentativa tardia e inútil de protegê-la da exposição?
A verdade era que ela já não se importava que o mundo conhecesse o seu passado turbulento.
As suas antigas cicatrizes possuíam um valor inestimável, pois haviam forjado a mulher forte e resiliente que ela era hoje.
O seu único desejo era poder apagar as dolorosas feridas emocionais deixadas por aquela relação fracassada.
Eduarda contemplava a imagem de Cícero na tela com o peito apertado, sem saber ao certo que tipo de sentimento dominava o seu coração naquele momento.
Ela apenas sentia que um abismo intransponível estava separando os seus caminhos para sempre.
Pertencendo a universos tão distintos desde o início, romper os laços de forma definitiva parecia ser a escolha mais inteligente para ambos.
De volta ao auditório, Cícero recolheu o acordo de divórcio em questão de segundos, impedindo qualquer tentativa frustrada da imprensa de examinar o conteúdo secreto das suas páginas.
A pasta de couro já estava rigidamente trancada pelas mãos de Cícero.
O público teve que se conformar com a escassa revelação de que o casamento do magnata havia oficialmente chegado ao fim.
Cícero assumiu o controle novamente com uma frase curta e evasiva:
— Quanto à minha relação com a Sra. Castilho, não considero apropriado revelar mais detalhes neste momento.
Após a declaração final, Cícero levantou-se bruscamente e desapareceu pelas cortinas dos bastidores do evento.
Rejeitando qualquer outra pergunta da mídia caótica, ele sentiu que o seu dever já estava plenamente cumprido.
Poucos minutos depois de abandonar o palco, Cícero atendeu a uma chamada furiosa de Adilson.
A voz de Adilson tremia de fúria descontrolada através da linha telefônica.
— Cícero, o que diabos você acabou de fazer; eu não te ordenei que levasse Weleska para o palco para acalmar os investidores, então por que você se recusou a confirmar a união, o que você tem na cabeça?
Antes que Adilson pudesse vomitar mais insultos, a ligação foi repentinamente encerrada pelo silêncio.
Damiano obedeceu prontamente e entregou o aparelho ao seu chefe no banco de trás:
— Sim, senhora. — Disse Damiano antes de se voltar para trás. — Sr. Machado, é uma chamada da Sra. Castilho.
Cícero fitou o celular com certa hesitação antes de aceitá-lo com relutância:
— Weleska.
Uma torrente de soluços desesperados explodiu do outro lado da linha:
— Cícero, você precisa vir ao hospital imediatamente, pois eu estou com dores horríveis na barriga e estou apavorada com a possibilidade de perdermos o nosso bebê, por favor me ajuda!
A dor de cabeça de Cícero atingiu o seu limite crítico, fazendo-o massagear as têmporas com os dedos rígidos:
— Fique calma, pois eu já estou a caminho.
Cícero disparou ordens para o seu assistente com uma voz rouca:
— Mude a rota para o hospital imediatamente; vamos para o mesmo hospital onde Weleska se internou da última vez.
No conforto da sua suíte hospitalar luxuosa, Weleska encerrou a ligação e deixou que um sorriso diabólico tomasse conta do seu rosto enquanto encarava a tela do celular.
Aquela era a única maneira eficiente de empurrar Cícero em direção ao abismo do casamento definitivo.
Dessa vez, ela não aceitaria um não como resposta, obrigando-o a ceder às suas vontades e organizar a cerimônia mais deslumbrante que o país já vira.
Ela calaria os boatos de vez, provando a toda a alta sociedade que ela era a única e verdadeira Sra. Machado.

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