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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 331

Emerson chamou o nome de Eduarda.

— Eduarda... Eduarda.

— Você poderia tentar aceitar os meus sentimentos, pois eu quero estar ao seu lado.

Ele tirou a pulseira da caixa de joias, com a intenção de colocá-la no pulso dela.

A mulher ouviu tudo aquilo um pouco atordoada, observando o gesto dele, e recuou a mão suavemente.

Emerson levantou os olhos para encará-la.

Eduarda desviou o olhar.

Ela não tinha coragem de aceitar uma devoção tão sincera.

Sem a confiança de que poderia retribuir, temia aceitar aquele amor levianamente.

Eduarda recusou com uma certa firmeza.

— Sinto muito, Emerson, mas eu ainda não estou pronta e temo não poder aceitar.

A recusa de Eduarda soou como uma sentença definitiva.

— Emerson, você é um homem bom e merece a companhia de alguém melhor, então me perdoe por não ser a pessoa certa.

Ela tinha pavor de decepcionar as pessoas.

A jovem compreendia muito bem a dor e o estrago causados quando uma paixão genuína era rejeitada.

Eduarda levantou-se apressadamente, cambaleando e quase perdendo o equilíbrio.

Emerson a amparou imediatamente.

— Cuidado.

Ela forçou um sorriso leve.

— Eu já vou indo, Emerson.

A tristeza era inegável nos olhos do homem, mas ele não se sentia confortável em deixá-la partir sozinha.

— Deixe-me levá-la de volta, e por favor, não recuse mais este meu pedido.

Eduarda não relutou mais e acabou entrando no carro de Emerson.

Ele a deixou na porta do prédio, respeitando o limite sem invadir o espaço pessoal dela.

A figura de Emerson parado na entrada parecia desoladora, tendo insistido em acompanhá-la mesmo após ser rejeitado.

No fundo, o coração de Eduarda apertou de pena.

Porém, ela não queria atrasar a vida dele, pois ele merecia um futuro brilhante e uma parceira à sua altura.

Alguém tão cheia de cicatrizes como ela jamais seria digna de estar com alguém como Emerson.

Foi então que ela endureceu o coração para dar a palavra final.

— Volte para casa, Emerson, pois acho que só podemos ser amigos e é impossível cruzar essa linha, me desculpe.

Ela não tinha mais confiança de que poderia se apaixonar novamente e entregar a sua alma de forma tão intensa.

Deitando-se no sofá, ela fechou os olhos vagarosamente.

Após passar um dia na casa de praia, o resfriado de Cícero não demonstrou melhora, agravando-se ainda mais.

Durante a febre alta, imagens caóticas invadiram a sua mente.

Havia de tudo um pouco em seus delírios, mas nada parecia nítido.

Ele só sabia que estar hospedado ali não lhe trouxera paz de espírito, mas sim uma angústia inexplicável.

Mesmo com o corpo exausto e sem forças, Cícero mantinha a rotina de sentar-se nas pedras à beira-mar todas as manhãs.

Damiano tentou aconselhá-lo diversas vezes, mas o homem se recusava a escutar.

A brisa do oceano acalmava o calor em sua testa, ajudando-o a manter um mínimo de lucidez.

O cansaço o fez permanecer nas pedras por mais tempo naquele dia, coincidindo com a chegada de um gari que limpava o lixo trazido pela maré.

O funcionário da limpeza era um senhor de idade avançada, morador humilde daquela comunidade litorânea.

O velhinho não conhecia figuras importantes e apenas vivia a sua rotina simples, ganhando o seu honesto sustento.

Ao observar Cícero sentado nas rochas, o idoso foi tomado por uma estranha sensação de familiaridade.

— Moço, eu não te conheço de algum lugar? — Perguntou o senhor.

Cícero virou o rosto para olhá-lo e balançou a cabeça negativamente.

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