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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 329

Os pensamentos de Cícero foram trazidos de volta pelas pessoas ao longe.

Ele viu que quem invadira o local era um casal de jovens, um rapaz e uma moça, que pareciam namorados.

Deviam ser turistas que não sabiam que aquela não era uma área turística e entraram por engano.

Um guarda do local viu imediatamente e foi interceptá-los.

— Vocês dois, desculpem, mas esta é uma área privada. A entrada de turistas é proibida, por favor, retornem pelo mesmo caminho.

A moça do casal olhou curiosa e disse:

— Eu pensei em vir nadar aqui porque é mais tranquilo. Não vejo nada de mais. É de algum rico? Para que fechar este lugar? Não parece ter nada de especial aqui.

A moça realmente não entendia.

Os ricos não deveriam fazer algo luxuoso e romântico? Aquele lugar era comum demais.

O guarda balançou a cabeça e disse:

— Também não sabemos ao certo. Dizem que é um lugar com muito significado sentimental, por isso foi cercado.

A moça imediatamente imaginou vários enredos inocentes de novelas.

Ela disse:

— Será que foi aqui que houve um pedido de casamento ou algo assim? Mas não é muito bonito, por que escolheriam este lugar?

O rapaz puxou-a de volta:

— Ah, deixa pra lá. Vamos voltar para brincar na água do outro lado. Vamos, vamos.

Então, o casal virou-se e foi embora.

Só então Cícero desviou o olhar e pisou na areia da praia à frente.

A brisa familiar do mar soprou em seu rosto, trazendo o cheiro salgado e úmido.

Ele caminhou até a beira da areia, perto da água. As grandes rochas da costa não tinham brilho hoje, pois o sol não havia saído.

O tempo estava nublado, assim como o humor de Cícero naquele momento.

Seu interior também sentia uma sensação de desolação incomparável.

Cícero sentou-se na rocha e, num transe, pareceu ver a garotinha de vestido branco daquela época, segurando um buquê de pequenas flores, vindo sorrindo em sua direção. A garotinha sentou-se suavemente ao seu lado.

A menina balançava o rabo de cavalo, com o rostinho branco e adorável, despertando alegria no coração de quem a via.

Cícero piscou, como se tivesse caído em algum tipo de sonho.

Aquele sonho era doce e encantador.

A garotinha pareceu vê-lo e virou-se para perguntar:

— Cícero, por que você parece tão triste? Posso te ajudar?

Cícero baixou o olhar e balançou a cabeça levemente.

Cícero viu, naqueles olhos bonitos, uma expressão familiar.

Ele pensou por muito tempo e finalmente percebeu de quem se lembrava.

Parecia que Eduarda tinha exatamente aqueles olhos bonitos que, ao olharem para ele, sempre escondiam uma expressão de tristeza.

Os olhos de Eduarda eram como se falassem, contando segredos nunca ditos.

Cícero sentiu subitamente uma dor insuportável no coração, uma pontada que o impedia de endireitar o corpo.

Seu corpo inteiro ardia e tremia, não tinha força alguma; até levantar a mão parecia um luxo.

Cícero perdeu a consciência e caiu sobre a rocha. As ondas enrolaram-se e jogaram a água do mar sobre ele.

A água gelada engolia impiedosamente cada centímetro de sua pele.

Ele tremia, em pânico.

Cícero sentia-se desamparado, como se tivesse voltado àquela noite de mais de dez anos atrás, quando fora engolido pelo mar.

Muitas memórias invadiram sua mente instantaneamente, deixando-o atordoado e perdido.

Fosse a água gelada do mar, os relâmpagos cortando o céu noturno, ou aquelas pequenas mãos brancas segurando-o firmemente, tudo o fazia mergulhar naquela catástrofe novamente.

A cabeça de Cícero começou a girar. Ele parecia não sentir a temperatura real; seu corpo estava frio como se tivesse caído numa caverna de gelo.

Em meio à confusão, Cícero pareceu ver uma mulher vestida com um véu branco aproximando-se lentamente dele. Parecia ser a versão adulta da garotinha de sua infância.

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