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Diamantes e Cicatrizes romance Capítulo 310

— Você realmente acha que eu me casei com você por causa desse título? Que valor tem um título para mim? — Debochou Eduarda, soltando uma risada nasal.

Cícero entrelaçou os dedos, como fazia em reuniões: era o sinal de que ia negociar.

Ele pesava cada palavra para decidir qual seria a melhor abordagem com ela.

— Parece que eu preciso relembrá-la do enorme poder de influência que a esposa do patriarca da família Machado possui. — Declarou ele.

— Você tem plena ciência do alcance dos negócios do Grupo Machado em Porto de Safira, em todo o país e até no exterior. A família Machado ocupa o topo absoluto da pirâmide, um patamar que a maioria das pessoas não conseguiria sequer vislumbrar em toda uma vida. Manter o título de Sra. Machado vai abrir muitas portas para a sua vida pessoal e profissional. Você já parou para pensar nas vantagens? — Explicou ele minuciosamente.

Essa foi a primeira vez que Eduarda o ouviu falar abertamente sobre o peso do próprio nome.

Aquela era a verdadeira face implacável que ele exibia no mundo dos negócios.

Todos os argumentos de Cícero eram absolutamente lógicos, exceto pelo fato de ele ter errado a motivação inicial dela.

— Você tem total razão em tudo o que disse, Sr. Machado, mas parece esquecer um detalhe crucial: quando me casei com você, nunca estive interessada no seu status. — Respondeu ela com precisão.

Eduarda tinha clareza absoluta sobre as convicções de seu próprio coração.

— No passado, eu só queria me casar porque amava você perdidamente. Nunca desejei a sua riqueza ou a sua posição. — Afirmou ela sem vacilar.

Eduarda havia rejeitado de forma categórica todas as tentações materiais que ele colocara sobre a mesa.

Cícero estudou o rosto dela enquanto a palavra "amor" ecoava em seus ouvidos, soando quase estrangeira após tanto tempo sem ouvi-la.

— Muito bem. Então, partindo dessa premissa, você não me ama mais, estou certo? — Insistiu Cícero.

Eduarda sentiu uma profunda aversão à ideia de responder a essa pergunta diretamente.

— Sr. Machado, você deveria primeiro analisar a si mesmo e me dizer se existe algo em você que ainda seja digno do meu amor. — Retrucou ela rispidamente.

Não era como se ela não o tivesse amado, mas o saldo final de toda aquela devoção foi apenas o seu próprio coração em pedaços.

O brilho radiante que antes cercava a imagem dele havia se apagado completamente em sua mente.

Fora o próprio Cícero que esmagara com as próprias mãos até a última gota de esperança que ela nutria.

O fogo daquela paixão avassaladora jamais seria aceso por ele novamente.

— Acho que agora é a minha vez de fazer perguntas, Cícero. O que se passa na sua cabeça? Por que você se recusa a assinar os papéis do divórcio? Eu exijo uma justificativa plausível para isso hoje. — Declarou Eduarda, fuzilando-o com os olhos sem recuar um milímetro.

Já que estavam ali sentados para debater os termos de uma vez por todas, ela estava decidida a arrancar a verdade a fórceps.

A ambiguidade sufocante das atitudes de Cícero a estava levando à beira de um colapso nervoso.

Com o passar do tempo, o tratamento dispensado a ele tornou-se glacial, e ela já não implorava por sua atenção ou se curvava submissa durante as discussões explosivas.

Aquele ar de independência repentina o desagradava profundamente.

Até chegarem ao ponto atual, em que ela o enxergava como uma assombração invisível ou um estranho qualquer nas ruas, uma verdadeira desconhecida em comparação com a mulher de antes.

Havia instantes de confusão em que ele se perguntava se aquela mulher amarga era realmente a Eduarda que ele conhecia.

Eduarda o amava mais do que tudo, como era possível que ela o tratasse com tamanho desdém?

O pânico começou a se instalar quando ele percebeu que havia perdido totalmente as rédeas do controle sobre ela.

Eduarda estava escapando de suas garras para sempre.

Portanto, ele entrou em desespero.

Pela primeira vez em toda a sua existência calculista, Cícero teve plena consciência do medo paralisante que a ausência dela lhe causava.

E ele não estava disposto a deixá-la escorregar por entre os seus dedos.

— Eduarda, você poderia me explicar por que a ideia de perdê-la me causa tamanha agonia? — Indagou ele, de coração aberto.

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